domingo, 6 de setembro de 2015
Vasco Costa Noronha (1966 - 2015)
Vasco Noronha, ex-jornalista da agência Lusa, do Diário Económico e atual assessor da empresa Parpública, morreu este sábado aos 49 anos, confirmou a agência Lusa junto de vários amigos.
Vasco Costa Noronha nasceu em 1966 em Lourenço Marques (atual Maputo), Moçambique, e fez a sua formação universitária em Direito na Universidade Católica, em Lisboa.
Frequentou o curso do Cenjor – Centro Protocolar de Jornalistas, em Lisboa, e iniciou a sua carreira como jornalista na agência Lusa, entre 1995 e 2000, na editoria de Economia, e no jornal Diário Económico, entre 2000 e 2005.
Depois de uma experiência de assessoria ao ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos, no governo liderado pelo PS, entre 2005 e e 2009, ano em que passou a desempenhar as funções de assessor para a comunicação da holding Parpública, que gere o património e as participações empresariais do Estado.
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
O processo ANOP / NP...
Cartoon de António, de 1982, no meio do processo de tentativa de extinção da ANOP e da criação da Notícias de Portugal. À direita, José Alfaia, à altura Secretário de Estado da Comunicação Social.
terça-feira, 21 de julho de 2015
Luís Vitta (1945 - 2015)
Luiz António Iglesias Vitta (06/11/1945 - 21/07/2015)
Luís Vitta, à direita, num almoço, nos tempos da ANOP, com Luís Vasconcelos, Alfredo Cunha e Adelino Namorado dos Vultos (já falecido)
Luís Vitta, jornalista da Lusa durante 16 anos, morreu hoje de madrugada, aos 69 anos, no Hospital de Cascais, disse à Lusa uma fonte familiar. Natural de Jaboticabal, São Paulo, Brasil, Luís Vitta era licenciado em Direito, fugiu à ditadura brasileira e chegou a Portugal em 1974, a seguir ao 25 de abril, e entrou para a então ANI (Agência Nacional de Informação), em novembro desse ano. Após a revolução, a ANI deu origem à ANOP (Agência Noticiosa Portuguesa), onde trabalhou até novembro de 1982, ingressando nesse ano na Notícias de Portugal (NP), sendo depois jornalista fundador da Lusa, em 1987, após a fusão da ANOP com a NP.
Depoimentos:
Fernando Correia de Oliveira: O Luís Vitta foi, para os que da minha geração estavam na Agência, o primeiro contacto directo com o humor brasileiro e o tratamento tão especial que é dado ao Português do outro lado do oceano. Do alto da sua cabeleira, corpo magro e desengonçado, vestuário sempre de ganga, t-shirt, ia-nos brindando com frases como "por cima de mim só avião da Varig". Dava-nos conta do que tinha acontecido no funeral de um amigo, com o filho desesperado, a gritar: "Quem beijou, beijou! Quem não beijou, caixão fechou!!". Além da sua carreira em agências, teve vasta colaboração em títulos ligados à música, como o Blitz. Fez o programa Meia de Rock, na Renascença, com o Rui Pego. Esteve na génese da carreira dos GNR ou ajudou a singrar o barbeiro onde ia às vezes... o António Variações. Mas, disso, saberá melhor o Luís Pinheiro de Almeida, ou o Manuel Falcão, que o acompanharam em algumas dessas digressões rockistas.
Carlos Almeida: Vitta para mim: "OH Jacaré, passa na rádio, vai à receção e levanta dois bilhetes para o concerto que estão lá para mim?" Digo-lhe: então, vamos as duas? Vitta: "Não, desgraçado, levo a minha namorada. Depois posso é cantar um pouco para você ficar com uma ideia como correu...".
Manuel Falcão: Quem trabalhou com ele nunca o esquecerá - e sempre por boas razões. Era um amigo e um grande profissional e o Blitz deve lhe muito.
Margarida De Mello Moser: Lembro-me sempre do Luis Vitta com ternura e um sorriso quando recordo as partidas que fazia à Teresa [telefonista]: "ligue me a Madre Teresa de Calcutá " e horas depois: " Sr. Vitta não consigo encontrar o telefone em lado nenhum ..." . Também me lembro duma espantosa feijoada que ele cozinhou para nós na " tremeliques".
Em baixo, Luís Vitta, à direita, na redacção da NP - Notícias de Portugal, com Fernanda Ribeiro, Fernando Correia de Oliveira, Luís Pinheiro de Almeida e Armando Sereno (já falecido)
quarta-feira, 17 de junho de 2015
Helena Mensurado (1931 - 2015)
(foto Manuel Moura)
Helena Mensurado morreu hoje, em Lisboa, aos 83 anos, Maria Helena Soeiro Mensurado nasceu a 14 de Julho de 1931, em Benguela, no sul de Angola, onde iniciou a carreira jornalística, aos 18 anos, como estagiária, no Rádio Clube de Benguela.
Em Portugal, iniciou a sua carreira no Rádio Clube Português, em 1963, através da produtora independente Radio Press Office. Aí, foi a primeira jornalista radiofónica no país, redigindo e dando voz aos apontamentos do programa "Nova Linha", um dos primeiros programas puramente noticiosos que existiram na rádio nacional,
Helena Mensurado trabalhou a partir de 1977 na Agência Noticiosa Portuguesa (ANOP) e na Lusa - Agência Notícias de Portugal, quando esta foi criada, em novembro de 1986, após a extinção das anteriores agências - ANOP e Notícias de Portugal (NP).
Trabalhou ainda no Jornal Novo, em A Capital e no Semanário e colaborou em diversas produções da RTP.
No cinema, Helena Mensurado desempenhou um papel de si mesma (um "cameo"), como jornalista de uma redação, no filme “O Lugar do Morto” (1984), dirigido por António-Pedro Vasconcelos.
Era irmã da jornalista Edite Soeiro, foi casada com o jornalista José Mensurado, ambos já falecidos, Com este, teve um filho, também jornalista, Pedro Mensurado.
Depoimentos:
Luís Pinheiro de Almeida, durante vários anos Editor de Helena Mensurado, na editoria de Política, na ANOP: A Maria Helena Mensurado era uma querida amiga. Era teimosa como eu, mas de uma afabilidade e de uma ternura raramente vistas em redacções em permanente stress.
Tinha sempre uma palavra de mãe para as desvarios próprios de um jornalista permanentemente com os nervos à flor da pele. Protegi-a o mais que pude.
A Maria Helena vinha de uma escola de jornalismo diferente da que caracteriza uma agência noticiosa. Vinha de um jornal, de “A Capital”, se bem lembro, e são históricos os choques entre as duas escolas. Uns a escrever muito, outros a escrever só o necessário. A Maria Helena não fugiu à regra, mas, com o seu saber de experiência feito, lutou e lutou muito para levar a carta a Garcia, para se conter nas 35 palavras do lead.
E quando a caminhada já era demasiado veloz para o seu passo, continou a ser de uma extrema utilidade para a agência nacional. Sábias as suas biografias, completos os seus backgrounds que acrescentavam mais-valia às notícias dos putos. Até sempre, camarada, gosto de ti e não me esqueço do livro dos Beatles que me ofereceste em Março de 1982, quando éramos mais jovens
Tinha sempre uma palavra de mãe para as desvarios próprios de um jornalista permanentemente com os nervos à flor da pele. Protegi-a o mais que pude.
A Maria Helena vinha de uma escola de jornalismo diferente da que caracteriza uma agência noticiosa. Vinha de um jornal, de “A Capital”, se bem lembro, e são históricos os choques entre as duas escolas. Uns a escrever muito, outros a escrever só o necessário. A Maria Helena não fugiu à regra, mas, com o seu saber de experiência feito, lutou e lutou muito para levar a carta a Garcia, para se conter nas 35 palavras do lead.
E quando a caminhada já era demasiado veloz para o seu passo, continou a ser de uma extrema utilidade para a agência nacional. Sábias as suas biografias, completos os seus backgrounds que acrescentavam mais-valia às notícias dos putos. Até sempre, camarada, gosto de ti e não me esqueço do livro dos Beatles que me ofereceste em Março de 1982, quando éramos mais jovens
Nuno Simas, Director-Adjunto da Lusa: "A Helena representou, para mim, a transmissão, de geração para geração, de saber, experiência e de camaradagem!"
Natal Vaz: "Conheci a Helena no jornal A Capital há para ai uns 40 anos... ela contava historias que me deixavam com os olhos arregalados! Uma grande senhora!"
Fernanda Mestrinho; "Uma boa amiga, uma senhora e a integridade no jornalismo".
Afonso Camões, Director do Jornal de Notícias: "Mulher valente, excelente profissional, minha camarada nos primeiros tempos do Semanário".
(foto Manuel Moura)
(foto Manuel Moura)
(foto Manuel Moura)
Num almoço de confraternização da ANOP. Vêem-se ainda Mário Moura, Maria Júlia Fernandes, Artur Margalho e, ao fundo, Fernando Cascais e Fernando Correia de Oliveira
Num jantar de confraternização de ex-ANOP, em 2011
quarta-feira, 6 de maio de 2015
Oscar Mascarenhas (1949 - 2015)
(foto DN)
Lisboa, 06 mai (Lusa) – O jornalista Óscar Mascarenhas, que trabalhou muitos anos no Diário de Notícias e na agência Lusa, morreu hoje, aos 65 anos, em Lisboa, vítima de ataque cardíaco, informou fonte ligada à família.
De acordo com a mesma fonte, Óscar Mascarenhas sentiu-se mal hoje de manhã e ainda foi assistido por uma equipa do INEM- Instituto Nacional de Emergência Médica.
Óscar José Mascarenhas nasceu a 09 de dezembro de 1949.
Natural de Goa, India, começou a trabalhar como jornalista em 1975, no diário A Capital, passando em 1982 para o Diário de Notícias, jornal onde fez grande parte da sua carreira, até sair em 2002.
No ano seguinte, em 2003, integrou os quadros da Lusa - Agência de Notícias de Portugal, SA, como assessor da administração então presidida pelo jornalista Luís Delgado, ficando com o pelouro, entre outras funções, do relacionamento com as agências noticiosa e organismos internacionais com que a Lusa tinha cooperação.
Mais tarde, em setembro de 2005, passou para a redação da Lusa como editor e integrou depois, em 2007, o turno da madrugada, função que desempenhou até passar à pré-reforma, em 2009.
Em 2012, voltou ao Diário de Notícias, onde abraçou o cargo de Provedor do Leitor, funções que deixou no final de 2014.
Óscar Mascarenhas foi ainda presidente do Conselho Deontológico (CD) do Sindicato dos Jornalistas durante oito anos, ocupando atualmente o cargo de vogal do CD, órgão sindical presidido pela jornalista São José Almeida.
Como jornalista, relatou momentos históricos, como a cerimónia da independência da Cabo Verde, em 1975, os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984, ou ainda as primeiras eleições livres na RDA, em 1990, após a queda do Muro de Berlim.
Em 1985, o Clube Português de Imprensa distinguiu-o como o Premio Reportagem, e, um ano depois, o Premio de Viagem.
Depoimentos recolhidos 'pela Lusa:
A presidente do Sindicato dos Jornalista destacou hoje a “forte personalidade” do jornalista Oscar Mascarenhas, que morreu hoje de manhã, vítima de ataque cardíaco, sublinhando que irá “fazer falta o espírito crítico” ao jornalismo português.
Em declarações à agência Lusa, Sofia Branco disse ter sido "com surpresa” que recebeu a notícia da morte de Oscar Mascarenhas, adiantando que, na terça-feira, estiveram a trocar emails para uma posição conjunta entre a direção do Sindicato de Jornalistas e o Conselho Deontológico sobre a lei da cobertura das eleições.
“O Oscar participou imenso e contribuiu muito para o texto que hoje vai ser publicado, como era aliás da sua natureza. Participava imenso nas coisas em que se metia, de uma forma muito vincada, tinha um feitio muito particular, uma personalidade muito forte, não deixava de lado as suas ideias por nada, batia-se por elas até ao fim”, destacou Sofia Branco.
A presidente do Sindicato lembrou ainda que, apesar de não partilhar das mesmas ideias e opiniões de Oscar Mascarenhas, gostava da forma como este encarava o jornalismo e considerou que vai fazer falta alguém com “aquele tipo de espirito, numa altura em que é tudo muito mais neutro, muito mais do mesmo”.
“Acho que era uma pessoa que gostava muito de discussão e isso é interessante nos dias de hoje, porque se discute muito pouco, e provocava, e isso também é preciso e faz falta”, frisou.
Sofia Branco lembrou ainda que o estilo provocador de Oscar Mascarenhas, sublinhando que tal característica “tornava-o numa personalidade que vai fazer falta”.
“Era muito crítico do jornalismo que se faz. Aliás, como provedor [do leitor, do Diário de Notícias], são conhecidos vários textos que geraram alguma polémica, mas acho que é interessante, concordando ou não com ele”, considerou.
[...]
O comentador político Luís Delgado lamentou hoje a morte do jornalista Oscar Mascarenhas, aos 65 anos, vítima de ataque cardíaco, considerando que o “jornalismo ficou mais pobre”.
“O jornalismo fica verdadeiramente mais pobre sem Oscar Mascarenhas. Ele era um pilar do ponto de vista do funcionamento íntegro do jornalismo em Portugal e era uma referência. Fica mesmo mais pobre, não é uma frase feita”, disse o ex-administrador da agência Lusa.
Luís Delgado relatou à Lusa que conheceu Oscar Mascarenhas “há muitos anos”, tendo inclusive trabalhado com ele no Diário de Notícias, local onde se conheceram.
“Conheci-o no DN. Sempre o considerei um jornalista excecional do ponto de vista de capacidade, do interessa e do empenho na profissão”, sublinhou.
Na opinião do jornalista Luís Delgado, Oscar Mascarenhas era “extraordinariamente ético do ponto de vista da separação muito vincada daquilo que são os poderes e os direitos e as capacidades” dos jornalistas.
Luís Delgado recordou à Lusa que durante os anos em que trabalharam juntos recorreu muitas vezes à ajuda de Oscar Mascarenhas.
“Era muito empenhado e disponível para ajudar as pessoas. Sempre que nós precisávamos de alguma coisa, se tínhamos dúvidas sobre algo recorríamos ao Oscar. Perdeu-se uma pessoa muito importante, que nos orientava”, frisou.
O também comentador político Luís Delgado disse ainda que, “acima de tudo, Oscar Mascarenhas era um recipiente do melhor que os jornalistas podem desempenhar na sua profissão.
“Era também um estímulo para todos os nós, pela sua capacidade de escrita e pela forma como escrevia, como grande repórter, como analista, como jornalista, concluiu.
[...]
O ex-presidente da agência Lusa José Manuel Barroso lamentou hoje a morte de Oscar Mascarenhas, considerando que este era um jornalista dedicado às questões da ética e da deontologia dos jornalistas, “empenhado e atento ao mundo”.
“Era um jornalista que vivia muito a profissão no que diz respeito às questões de ética e deontologia dos jornalistas. Tinha uma grande atividade em torno dessas matérias, participando em inúmeras conferências e debates sobre o jornalismo”, relatou à Lusa José Manuel Barroso, que trabalhou com Oscar Mascarenhas no Diário de Notícias e na agência Lusa.
De acordo com o antigo presidente do Conselho de Administração da Lusa, Oscar Mascarenhas teve um percurso que o levou a aproximar-se cada vez mais da essência do jornalismo.
“Era muito preocupado com o modo como os jornalistas desempenhavam a profissão. Era também muito interessado pelas questões políticas internacionais (…). Tinha uma visão muito própria das coisas e dos acontecimentos e, por esse prisma, foi sempre um jornalista empenhado e atento ao mundo”, disse.
[...]
A jornalista Diana Andringa lembrou hoje a “camaradagem imensa” e o “crítico muito importante” que foi Oscar Mascarenhas, falecido esta manhã, vítima de ataque cardíaco, confessando não saber agora com que irá discutir as questões éticas e deontológicas.
“Estas coisas deviam ser proibidas. Pessoas como o Oscar deviam ser proibidas de morrer, porque agora com quem vamos ter discussões o dia todo, quem é que vai levantar as questões éticas e deontológicas com o humor extremamente mordaz e de uma violência, quase assassina, mas que sabemos que é feita com uma amizade e camaradagem imensa”, questionou Diana Andringa, em declarações à agência Lusa.
A antiga presidente do Sindicato dos Jornalistas frisou ainda que, além de Oscar Mascarenhas ser um “grande camarada” como jornalista, foi também um “grande camarada e amigo” quando estava na direção do sindicato e foi presidente do Conselho Deontológico do Sindicato.
“Tivemos discussões muito vivas e interessantes. Era sempre entusiasmante para a inteligência discutir com o Oscar”, frisou Diana Andringa, lembrado que este teve um "papel extraordinário” como provedor no Diário de Notícias.
Diana Andringa lembrou ainda o sentido de humor “absolutamente fabuloso” de Oscar Mascarenhas, além do facto de ser “uma pessoa que resmungava muito, mas que tinha um coração de oiro”.
“É um excelente amigo que se perde. Um crítico muito importante, a quem eu costumava dar como recado, além de um ‘Viva a Liberdade’, com que nos despedíamos, também um ‘Não se te cansem as mãozinhas Oscar’, porque há muita gente a precisar das críticas de Oscar. Ele vai fazer muita falta, nenhum de nos é insubstituível, eu sei, mas há pessoas que fazem mais faltas que outras”, precisou.
[...]
O secretário-geral do PS, António Costa, transmitiu hoje condolências em seu nome e do partido pela morte de Óscar Mascarenhas, que refere ter sido um jornalista considerado e respeitado ao longo das últimas décadas.
"Em meu nome pessoal e em nome do Partido Socialista manifesto as mais sentidas condolências pelo falecimento de Óscar Mascarenhas, um grande jornalista que todos nos habituámos a considerar e respeitar ao longo das últimas décadas”, lê-se numa nota publicada na página da internet do partido e assinada por António Costa.
O líder socialista refere ainda ter tido a oportunidade de conhecer o também antigo provedor do leitor do jornal Diário de Notícias, sendo “testemunha da qualidade e da seriedade que sempre colocou ao serviço da sua grande causa, o jornalismo de referência em Portugal”.
“Neste momento de perda e de dor, manifesto a minha profunda solidariedade à sua família, aos seus amigos e aos seus camaradas de causa”, concluiu Costa.
A direcção da AAFDL (Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa) (70? 71?) não homologada pelo então ministro da Educação, Veiga Simão. (Espólio Luís Pinheiro de Almeida)
Artigo assinado por José Pedro Castanheira, no Expresso:
Antigo presidente do Conselho Deontológico dos jornalistas portugueses, Oscar Mascarenhas faleceu na manhã de dia 6 de maio, vítima de um fulminante ataque cardíaco. Provedor do Leitor do “Diário de Notícias” até ao final do ano passado, tinha 65 anos. Casado com a também jornalista Natal Vaz, deixa uma filha.
Professor na Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa, ainda deu aulas na segunda-feira, mas na terça, sentindo-se mal, preferiu ficar em casa. Membro do Conselho Deontológico dos jornalistas portugueses (para o qual fora eleito no ano passado), na noite de dia 5 trocou emails com a presidente do Sindicato dos Jornalistas, Sofia Branco, a propósito da legislação relativa à cobertura mediática das campanhas eleitorais.
Um email com uma lista de jornalistas imortais
Na manhã seguinte, como era seu hábito, sentou-se ao computador. Tinha aprazado um almoço com um grupo de pessoas ligadas ao jornalismo, destinado a discutir uma lista de nomes para um futuro panteão criado no âmbito do Museu das Notícias, a ser inaugurado no próximo ano em Sintra. Completavam o grupo os jornalistas Adelino Gomes e Alexandre Manuel, e Luís Paixão Martins, o proprietário da agência de comunicação com o seu nome e principal “motor” do referido museu. Foi para esse pequeno “comité” que Mascarenhas terá enviado o seu último email (eram 7h44 horas), com uma lista anexa de 32 nomes de jornalistas “imortais”, e que vão desde Camilo Castelo Branco e Eça de Queirós, a Manuel António Pina e Carlos Pinto Coelho.
Pouco depois, sentindo-se mal, foi chamada uma ambulância, para a qual subiu ainda pelo seu pé. Foi já no interior do veículo do INEM que teve um ataque cardíaco fulminante, que lhe provocou uma paragem cardiorrespiratória, de que não recuperou.
De Goa à Faculdade de Direito de Lisboa Oscar José Mascarenhas nasceu a 9 de dezembro de 1949 na freguesia de Ribandar, em Goa, um dos territórios que faziam parte do então Estado Português da Índia. Veio para Portugal em 1957, antes ainda da invasão de Goa, Damão e Diu pela União Indiana.
Fez o ensino secundário na Externato Frei Luís de Sousa (em Almada) e no Liceu Gil Vicente (em Lisboa). Neste último estabelecimento, foi colega de Carlos Cáceres Monteiro, Luís Almeida Martins e João Vaz – um quarteto de futuros jornalistas que haveriam de trabalhar em conjunto no vespertino “A Capital”.
Frequentou depois, e durante três anos, a Faculdade de Direito de Lisboa, tendo sido colega, para além de Cáceres Monteiro, de Marcelo Rebelo de Sousa, Leonor Beleza, do franciscano Vítor Melícias e do também jornalista Luís Pinheiro de Almeida, bem como de Carlos Veiga, futuro primeiro-ministro de Cabo Verde. Na faculdade, fez parte da lista candidata à Associação de Estudantes que se apresentou sob o lema “Ousar Lutar, Ousar vencer”, liderada por Arnaldo de Matos, que viria a ser o secretário-geral do MRPP.
Interrompeu o curso de Direito e alistou-se como voluntário na Força Aérea Portuguesa, tendo sido colocado nos Açores.
De “A Capital” à Lusa, passando pelo “Diário de Notícias” Entrou na profissão a 2 de janeiro de 1975, no vespertino “A Capital”, dia em que conheceu a sua futura mulher, Natal Vaz, que entrara para o jornal no verão anterior. Militante do Movimento de Esquerda Socialista (MES) – o único partido a que pertenceu -, colaborou no seu jornal, “Poder Popular”. Já em 1976, pertenceu à redação do semanário “Página Um”, que apoiou a candidatura de Otelo Saraiva de Carvalho às eleições presidenciais. Era um jornal por onde passaram jornalistas como Fernando de Sousa, Henrique Garcia, Artur Albarran e João Vaz, o cartoonista Vasco, o pintor Leonel Moura e o jurista Francisco Teixeira da Mota.
Em 1982 trocou “A Capital” pelo "Diário de Notícias", onde trabalhou durante dois períodos: 1982-2002 (como repórter e redator principal) e 2012-2014 (como provedor do leitor). Trabalhou ainda no “Jornal do Fundão” e na agência Lusa (entre 2003 e 2009, altura em que passou à situação de pré-reforma, em que ainda se encontrava).
Dois livros na forja
Tirou o primeiro curso de pós-graduação em jornalismo, promovido pelo ISCTE e pela Escola Superior de Comunicação Social. Seguiu-se o mestrado e admitira recentemente avançar para o doutoramento, em Ciências da Comunicação, ainda pelo ISCTE.
Foi durante várias décadas dirigente do Sindicato dos Jornalistas, tendo presidido ao Conselho Deontológico durante oito anos. Fez parte igualmente da Comissão da Carteira Profissional dos Jornalistas.
Publicara dois livros: “O Poder Corporativo Contra a Informação” (2001, Minerva Coimbra) e “Nuvem de Chumbo. O Processo Casa Pia na Imprensa” (com Nuno Ivo, 2004, Dom Quixote). Deixou em fase de publicação a tese de mestrado, a que dera o título sugestivo de “O Detetive historiador. O jornalismo de investigação e a sua ética”, bem como um livro com uma vasta seleção de citações.
O corpo de Oscar Mascarenhas vai às 15h desta quinta-feira, 7, para a capela mortuária da Igreja de São João de Deus (à Praça de Londres). Será cremado às 12h de sexta-feira, no cemitério do Alto de São João.
32 nomes para o Panteão de Jornalistas
Segue-se a publicação da sua proposta de 32 nomes para o futuro Panteão de jornalistas, com algumas anotações que fez:
Adolfo Simões Müller – jornalismo didático
António Paulouro – jornalismo regional
Artur Agostinho
Augusto de Castro – direção e editorialismo
Camilo Castelo Branco – folhetinismo
Cândido de Oliveira – jornalismo desportivo
Carlos Pinhão
Carlos Pinto Coelho – jornalismo cultural televisivo
Eça de Queiroz – crónica de viagem
Eduardo Coelho – pioneiro do noticiarismo e novas tecnologias
Fernando Assis Pacheco
Fernando Pessa – jornalismo radiofónico e televisivo
Fialho de Almeida – jornalismo de crítica de costumes
Joshua Benoliel – fotografia
Leitão de Barros – jornalismo da nota do dia, “Os Corvos”
Manuel António Pina
Maria Lamas – jornalismo no feminino
Mário Castrim – jornalismo para jovens e pioneiro da crítica de televisão
Mons. Moreira das Neves – jornalismo religioso
Norberto de Araújo – olisipógrafo
Norberto Lopes – repórter de guerra e entrevistador
Rafael Bordalo Pinheiro – caricaturista
Ramalho Ortigão – polemista
Raul Proença – fundador da “Seara Nova” e criador do “Guia de Portugal”
Raul Rego – jornalismo oposicionista
Reynaldo Ferreira – “Repórter X”
Roby Amorim – jornalismo enciclopédico
Rodrigues Sampaio – jornalismo político
Sousa Veloso – jornalismo televisivo de divulgação da agricultura
Stuart Carvalhais – cartoon
Vera Lagoa
Vítor Direito – jornalismo popular
terça-feira, 7 de abril de 2015
Fernando Fraga da Silva (1946 - 2015)
Nascido a 9 de Fevereiro de 1946, Fernando José Coelho Fraga da Silva era Tenente do Exército Português quando ingressou em 1978 na ANOP, iniciando aí uma carreira jornalística nas agências noticiosas que iriam levá-lo ainda à Notícias de Portugal (1982) e LUSA (1986).
Enquanto quadro das agências noticiosas nacionais, esteve nas editorias Internacional, Agenda, Comunidades e Novos Produtos e foi editor de fim-de-semana. Paralelamente, e dado o seu gosto pela Informática, acompanhou como representante dos jornalistas, os desenvolvimentos tecnológicos aplicados às Redacções onde trabalhou.
Essa qualidade específica de aliança entre jornalismo e know-how tecnológico leva-o à fundação da estação de televisão SIC, em 1992, onde foi o responsável pela informática aplicada ao processo editorial. Reformou-se em 2010.
Fernando Fraga da Silva foi ainda, em 2006 e 2007, docente na Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa.
Fernando Fraga da Silva era um amante de fotografia e colecionador de máquinas fotográficas antigas. O seu último projecto foi um levantamento sobre a evolução das máquinas Reflex, projecto que contava editar em livro.
Era casado, pai de uma filha e avô de duas netas. Faleceu à primeira hora de sábado, 4 de Abril de 2015, vítima de cancro.
O Fraga, como era conhecido, fazia parte de uma tertúlia, o chamado Grupo de Marinhais, que se reunia assiduamente, um pouco por todo o país, em redor uma boa mesa, mas com mais frequência em Marinhais. Os outros membros do grupo, veteranos das agências noticiosas portuguesas - João Pinheiro de Almeida, Luís Pinheiro de Almeida, João Pedro Martins e Fernando Correia de Oliveira - recordam o amigo de 4 décadas. "Discreto, mas marcante!".
O Grupo de Marinhais: João Pinheiro de Almeida, Luís Pinheiro de Almeida, Fernando Correia de Oliveira, João Pedro Martins e Fernando Fraga da Silva
Guardam do Fraga "a gargalhada seca e em crescendo, sarcástica, arma de arremesso do seu humor ultra-fino. E o seu disparar fraseado, com pressa tal que algumas palavras não chegavam a sair, na rapidez do pensamento".
Lembram as suas exclamações típicas - "não é nada disso, pá!", "isso não presta para nada, pá! ", "esse computador é bom para o lixo, pá!" ou, comentando uma qualquer novidade tecnológica: “não tem nada que saber, pá..... ora vê lá.... eh, eh, eh.” (riso sarcástico).
Numa discussão, "o Fraga tinha sempre mais elementos, mais precisão de nome, de data, de circunstância", recordam.
Mas, sublinham os outros elementos do Grupo de Marinhais, apesar do gosto pela informática e pelas novidades tecnológicas, o Fraga nunca aderiu ao Facebook nem estava presente nas redes sociais, avisando sempre para o perigo potencial que isso representava.
Os companheiros de tertúlia rematam: "Foste um amigo de quatro décadas. O discreto que marcou. Estarás na nossa memória. No próximo almoço, ergueremos um copo por ti. Até sempre, camarada!"
Em baixo, imagem de uma das últimas mensagens que enviou a amigos, típica do seu humor fino.
Outros depoimentos:
"Tinha algo fundamental: calma. E transmitia confiança, pelo que dizia e, por vezes, pelo que deixava de dizer". Nuno Simas, Director-Adjunto da Lusa.
Na equipa fundadora da estação televisiva SIC, foi "escolhido em boa hora, foi muito importante porque ele era responsável pela informática e tinha uma muito grande componente jornalística". José Mário Costa, também ele fundador da SIC.
"Nunca tive o prazer de trabalhar directamente com ele, mas recordo do seu sorriso terno e sincero, da sua presença discreta e do seu ar sempre "zen", que faziam a diferença no caos da redacção. Recordo-me que sorria com o olhar e percebo a falta que um amigo como ele deva fazer. Que nos vossos próximos encontros nunca falte um brinde a este Amigo, que ele onde quer que esteja estará a brindar convosco...com um sorriso. Um abraço a todos a partir de Moçambique". Sílvia Fernandes, antiga jornalista da Lusa.
"A paciência, a simpatia do Fraga. Deixa saudades. O Fernando era o responsável da Informática na SIC. Um dia enviou-me um mail, matéria importante, imprimiu-o e veio entregar-me o papel em mão no corredor.
- Mas porque é que me trazes um print, se já me enviaste a informação por mail?
- É para ter a certeza que o vais ler - respondeu-me.
Fiquei a gostar ainda mais dele a partir desse dia". João Carlos Barradas, antigo jornalista da Lusa e da SIC.
"Tive o prazer de trabalhar muitas vezes directamente com ele, na "ponte" entre a DT e a DI. Muitas memórias! A dada altura, os jornalistas até deram o nome de "fraguinha" ao cursor nos primeiros computadores", Fernando Pires, responsável técnico na Lusa.
"Recordo o ar tranquilo, calminho. Estava quase sempre a sorrir. Não a rir, a sorrir. É esta a imagem que guardo". Paula Colaço, antiga jornalista da Lusa e da SIC.
"O Fraga tinha um sorriso doce. Um sorriso menino em que os olhos acompanhavam a boca". Cláudia Páscoa, jornalista da Lusa.
"Pelo tempo que contactei com ele (já lá vão muitos anos), fiquei com a ideia de um tipo muito sóbrio e muito competente. Não me esqueci do dia em que, na NP, por haver muito pouca gente no internacional, fui lá fazer uma perninha. Pois o Fraga não se acanhou e corrigiu (e bem) uma notícia que, embora feita pelo director, não estava inteiramente de acordo com as regras... Que descanse em paz!". Appio Sottomayor, antigo Director de Informação da agência noticiosa NP - Notícias de Portugal.
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
Jantar das Agências - Natal 2014
GRANDE JANTAR DAS AGÊNCIAS - 2014
O Natal de 2014 está à porta e com ele o 5º grande jantar das Agências.
Este jantar é organizado para todos aqueles que trabalham ou trabalharam na LUSA ou qualquer uma das agências noticiosas que a antecederam e tem por missão reunir todos aqueles que têm em comum o facto de fazer parte da história de uma “casa” muito especial…a nossa…
Apelamos a todos os que não têm participado para que este ano venham...
VENHAM MESMO !!!
Dia 5 de Dezembro de 2014, às 20h00
Local: Restaurante CIF
Morada: Avenida dos Bombeiros, Caramão da Ajuda em Monsanto – ao lado do centro Helen Keller
http://www.restaurantecif.com/
Ementa:
Entradas
Sopa de Legumes
Arroz de Pato
Sobremesas várias
Bebidas (Águas, Cerveja, Refrigerantes, Vinho Tinto e Branco da casa) café
Preço por pessoa: 16,50 euros
Participe e seja solidário. Traga uma contribuição para o nosso cabaz solidário (um quilo de arroz, massa, óleo alimentar, enlatados… o que puder oferecer). A Caritas irá recolher a nossa oferta.
Confirme a sua participação até 28 de Novembro por e-mail para:
jantardasagencias@gmail.com
sábado, 9 de agosto de 2014
Rui Camacho (1936 - 2014)
(foto DN)
O jornalista Rui Camacho, que foi chefe de redação da ANOP, que mais tarde deu origem à agência Lusa, morreu aos 78 anos, a 5 de Agosto de 2014, vítima de doença prolongada.
Casado com a escritora e jornalista Helena Marques, Rui Camacho deixa quatro filhos, entre eles Paulo Camacho (antigo jornalista da SIC) e Pedro Camacho, director da revista VISÃO. Nascido no Funchal em 1936, Rui Camacho trabalhou no Diário de Notícias do Funchal, foi correspondente, na Madeira, do Diário de Lisboa, da Paris Match e da Associated Press (AP), entre 1955 e 1970.
Paralelamente, foi professor do ensino secundário e da escola de hotelaria e turismo do Funchal, além de adjunto da direção da Madeira Engeneering (construções navais).
Entre 1971 e 1973, Rui Camacho foi redator da revista Flama, chefe de redação adjunto do Jornal do Comércio e colaborador das agências Ciesa, Latina e Penta.
Chegou a subchefe de redação do República e a chefe de redação da ANI - Agência Noticiosa de Informação, com a tarefa específica de elaborar o projeto da futura ANOP.
Depois do 25 de Abril, foi chefe de redação do jornal A Luta, do qual foi cofundador, juntamente com a direção e um grupo de antigos redatores do República.
Entre 1978 e 1985, foi chefe de redação da ANOP, tendo sido requisitado em comissão de serviço para a coordenação geral das redações da RTP (1979) e para a chefia da redação da RTP Informação 2.
Ainda durante este período foi chefe de redação da revista Negócios (1980-1984). Entre 1986 e 1988 foi chefe de redação do jornal O Tempo. Na década seguinte, chegou a trabalhar para a Hill & Knowlton, Imago e Marconi.
Alguns depoimentos de quem o conheceu:
José Manuel R. Barroso:
O Rui! conheci-o na Madeira, quando para lá fui no serviço militar e andei pela aventura do Comércio do Funchal. Ele, e a Helena Marques, eram jornalistas do DN do Funchal, democratas, e foram sempre dois excelentes amigos e gente de qualidade. Depois, quando o Rui veio para Lisboa, fui director dele na Anop, onde fez em bom trabalho e era um excelente colega. A vida passa rápido! Fica a memória das pessoas boas que conhecemos e nos conheceram.
Fernando Correia de Oliveira:
Do Rui lembro a camaradagem de "velha escola", as conversas sem fim depois do acabar dos turnos, as histórias que ele contava, acrescentando sempre mais "pormenores". E... quem se cruzou com ele, sabe do que falo: o temível aperto de mão. Os seus olhos brilhavam de gozo quando algum incauto experimentava a força de tenaz hidráulica dos seus dedos... Ainda há uns meses recordei isso num almoço com o filho com quem tenho mais contacto, o Pedro Camacho, um dos jornalistas do clã Camacho. Até sempre, Rui... com um último aperto de mão.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Para a história das agências - Reuter, Havas, Lisboa...
Artigo sobre a Agência Reuter, in Mundo Gráfico, 30 de Dezembro de 1943. Este título anglófilo era um dos canais da propaganda dos Aliados em língua portuguesa durante a II Guerra Mundial (o Eixo usaria títulos como o Signal).
Escreve-se no artigo do Mundo Gráfico que o fundador da Reuter, a dada altura, muda a sede da agência para Lisboa. Decerto uma confusão. Charles Havas, fundador da Agência Havas (na origem da Agence France Press), terá começado a sua actividade em Lisboa. Já o judeu alemão Israel Beer Josafat, convertido ao cristianismo e passado à história como Paul Julius Freiherr von Reuter (Barão de Reuter), depois de ter trabalhado em Paris com Havas (daí talvez a confusão do Mundo Gráfico), funda a Agência Reuter, em Londres, em 1851 e naturaliza-se inglês em 1857.
sábado, 21 de dezembro de 2013
Roby Amorim (1927-2013)
José Justino Faria de Roby Amorim iniciou a sua carreira em 1948, no jornal Correio do Minho (Braga). Em 1956 entrou para a redacção do jornal Diário Ilustrado, que congregou uma plêiade de profissionais que fez eco na sua geração. Na sequência da extinção deste título fez breve incursão por Angola, de onde foi expulso pela polícia política, após três meses de prisão sem culpa formada nem julgamento. Novamente em Lisboa, ingressou no jornal O Século, colaborando intensamente nas outras publicações da empresa (Século Ilustrado, Vida Mundial e Cinéfilo). Extinto este jornal, em 1975, entrou para a redacção da Agência ANOP, depois Lusa. Por último, fez parte do colectivo que produziu os últimos dois anos de O Diário de Lisboa. Também colaborou, nos últimos anos da sua vida activa, em várias puplicações da Agência de Comunicação LPM.
Recebeu por duas vezes o Prémio Pereira da Rosa (1971 e 1972) e em 1973 o Prémio Nacional de Jornalismo “Afonso de Bragança”. Publicou Elucidário de Conhecimento Quase Inúteis (Salamandra, 1985), Da Mão à Boca (Salamandra, 1987) ou Abecedário dos Sabores Portugueses e Mais Alguns (Lagonda, Dezembro de 2005).
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
QUANDO OS TELEGRAMAS ERAM DISTRIBUÍDOS DE BICICLETA...
Fialho de Oliveira, Gazeta de Mérito 2012 pelo Clube dos Jornalistas, entrou para a profissão em meados dos anos 1950. Passou pelos jornais, revistas e agências. Pela ANI e pela ANOP. Extracto da entrevista realizada a 7 de Julho de 2004, publicada pela primeira vez no livro Memórias Vivas do Jornalismo (Caminho, 2010), e republicada em Jornalismo & Jornalistas, do Clube de Jornalistas (nº 51 Julh/Set 2012)
A dado passo, Fialho de Oliveira diz: "No princípio ainda não havia telexes. O que havia era umas folhas, distribuídas por estafeta, de bicicleta..." (clique no texto para aumentar)
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
JANTAR DAS AGÊNCIAS A 06DEZ - 20H00
Restaurante Jardim da Luz (Largo da Luz, Lisboa) - Tel. 217 156 087
Ementa: Moscatel, Martini; salgados; salada de polvo; sopa; grelhada mista; salada de frutas ou mousse ou leite creme; café; bebidas: vinho branco, vinho tinto, cerveja, refrigerantes
Preço: 15 euros
Participe e seja solidário. Traga uma contribuição para o nosso cabaz solidário (um quilo de arroz, massa, óleo alimentar, enlatados… o que puder oferecer).
Na noite do jantar, a Caritas recolhe a nossa oferta.
Confirme a sua participação até 30 de Novembro:
Leonor Sá Machado: nocaleo@hotmail.com, tel. 916 054 335
Confirme a sua participação até 30 de Novembro:
Leonor Sá Machado: nocaleo@hotmail.com, tel. 916 054 335
Cristina Cardoso, Teresa Corte-Real, Sónia Jorge (na LUSA, tel. 217 116 500)
IN MEMORIAM
A Adriano de Carvalho; Amadeu; Amélia Pereira; Alberto Vilaverde Cabral; Álvaro Morna; Alexandre Oliveira (Alhinho); André Ferreira; Aníbal Ramalho; António Cordeiro; António Esperança; António Fernandes; António José; António José Silva; António Maria Zorro; António Ramos; António Vaz Gonçalves; Ariosto Mesquita; Armando Fontes; Armando Sereno; Artur Pereira Gil; Augusto de Carvalho; Azevedo.
B Barradas de Oliveira; Belmiro Vieira; Bento Silva; Bretes Teixeira.
C Cardoso Menezes; Carla Casais (Pote); Carlos Charneca; Carlos Pinto Coelho; Cartaxo e Trindade; César Gaspar; Clemente Cardoso; Cristina Braga.
D Dala (Maria José Martins); Dolores; Domenico Conte; Domingues Neves; Dutra Faria.
E Encarnação Viegas.
F Fausto Correia; Fernando Baião; Fernando Brederode Santos; Fernando Carneiro (Pai); Fernando Pinto; Fernando Teles; Fernando Fraga da Silva.
G Gama Rodrigues.
H Handel de Oliveira; Helena Vaz da Silva; Helder Guerra; Helena Mensurado.
I Ilídio Alves; Isa Meireles.
J João Murinello; João Tito de Morais; João Carreira Bom; João Maló; João Sacadura Bote; João Saraiva e Sousa; Jorge Oliveira; José Augusto Mendonça; José Carlos Coelho Dias; José Gabriel Viegas; José Gutierres; José Luís Gomes Pinto; José Manuel Jerónimo; José Manuel Nóia; José Maria Araújo; José Mendonça.
L Luís Esteves; Luís Margarido Correia; Luís Ochoa; Luís Pereira Gil; Luís Varanda de Castro, Luis Vitta.
M Manuel Antunes; Manuel José; Manuel Pedro Fernando; Maria Luísa Leone; Mário Contumélias; Mário Silva; Marques Pinto; Maximino Correia; Mimoso de Freitas; Muradali Mamadussen.
N Adelino Namorado dos Vultos; Nazaré Candeias; Noémia de Sousa.
O - Oscar Mascarenhas
O - Oscar Mascarenhas
P Paulo David; Porto.
R Ramiro Valadão; Rogério Severino; Rui Camacho; Rui Moreira; Rui Pimenta; Roby Amorim.
S Saldanha Sanches; Santos Cruz; Sarsfield Rodrigues; Silva Marta; Suleiman Valy Mamede.
U Utra Machado
U Utra Machado
V Vasco Noronha; Vítor Catanho; Vítor Fernandes.
W William Gilman.
sábado, 14 de abril de 2012
Para uma História das Agências Noticiosas em Portugal...
Ensaio de Dutra Faria sobre Agências Noticiosas, in Informação Cultura Popular Turismo nº 1, Janeiro - Abril de 1970
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Contributos para uma História das Agências em Portugal - a Fast
Homem Cristo, Filho
"Portugal foi dos últimos países da Europa a ter uma agência nacional de informação internacional. [...] Por outro lado, teve a sua sede em Paris a que terá sido, julgo, a primeira agência de informação fundada e financiada por portugueses - foi, se não estou em erro, a Fast, orgnanizada por Homem Cristo, Filho, na década de 20 e que se tornou possível graças aos capitais de Alberto de Monsaraz, o qual ao tempo não regressara ainda a Portugal do exílio que se seguira à derrota dos monárquicos em Monsanto.
A Fast enviava pelo correio, e em casos excepcionais telegraficamente, crónicas e notícias a jornais portugueses, brasileiros, espanhóis e hispano-americanos.
Não teve êxito como agência, e mais tarde transformou-se em casa de chá e sala de exposições".
Dutra Faria, jornalista, Director executivo da ANI, in "Agências de Informação", Informação / Cultura Popular/ Turismo, nº 1, Janeiro/Abril de 1970
"Em virtude da publicação de um artigo de crítica ao Ministro Sinel de Cordes, inserto no referido vespertino, eis de novo expulso de Portugal um dos mais garbosos, gentis e brilhantes jornalistas lusíadas da sua geração.Em Paris fundou e dirigiu a Chez Fast, casa editora e simultaneamente casa de chá. Nela se realizavam as reuniões dos Amis des Lettres Françaises, onde se agrupavam os maiores nomes do intelectualismo, da política, da ciência, da arte, da aristocracia, da finança, do exército franceses. Por 1926, foi Homem Cristo eleito Presidente da Associação da Imprensa Estrangeira de Paris"
Memória anónima, recolhida na Internet
Alberto de Monsaraz fixa-se em Paris, "onde Homem Cristo Filho teria nele o benévolo patrocinador para algumas das suas desencontradas e fantásticas iniciativas, entre as quais um curioso misto de elegante casa-de-chá, livraria, salão literário e agência de colaborações para a Imprensa do Brasil e hispano americana - "Chez Fast". E era ali, "Chez Fast", que os portugueses (homens de letras e jornalistas) que iam até Paris (ainda então no cabo do mundo...) tinham o ensejo de encontrar e conhecer figuras de relevo na literatura francesa do tempo, como Claude Farrère e a Rachilde.
Artigo de Dutra Faria no jornal "A Rua", de 23 de Fevereiro de 1978
"Aventureiro de várias pátrias, múltiplos talentos e extrema ousadia, Homem Cristo Filho tinha fundado em 1917, na cidade-luz, a Agência de Informação Fast, que colocou ao serviço do sidonismo na frente europeia. A Fast - primeira agência noticiosa portuguesa a nível internacional - fora criada com dinheiros do conde Alberto de Monsaraz, figura central da resistência monárquica à República e futuro secretário-geral do Movimento Nacional-Sindicalista, que vivia exilado em Paris. Sob a sua direcção, a agência encarregou-se inicialmente da propaganda oficial de quatro países: a Espanha do rei Afonso XII, o Chile do liberal-democrata Juan Luís Sanfuentes, o Peru do civilista José Pardo y Barreda e a China republicana, onde os presidentes duravam pouco.
"Durante o consulado sidonista, a Fast incorporou a direcção de Informação e Propaganda da República Portuguesa nos Países Amigos e Aliados, criada pelo próprio Sidónio Pais, que substituiu a revista "Portugal da Guerra", fundada por Norton de Matos no início do conflito mundial, a qual se editava em Paris. Homem Cristo Filho, director de ambas, fez chegar pelo correio aos jornais portugueses as notícias que mais interessavam ao Presidente-Rei. E aceitou cumprir paralelamente a missão de desacreditar o Presidente da República deposto, Bernardino Machado, que se encontrava exilado na capital francesa. O assassinato de Sidónio deitou entretanto o projecto abaixo, obrigando o jornalista panfletário a alterar o plano de vida. Quando Ferro o procura em Paris, explora já o espaço da agência como livraria, casa de chá e salão de exposições, com o nome de Chez Fast, aberto aos pintores portugueses radicados em Paris. É aí que expõe, por exemplo, Henrique Medina e que Mário Eloy causa frisson pela primeira vez.
"A Chez Fast acolhe nessa época com regularidade as reuniões dos Amis des Lettres Françaises, que juntam intelectuais, princesas do Leste, exilados russos, vedetas do teatro ligeiro, banqueiros especuladores, gigolos profissionais e generais golpistas retirados. Homem Cristo Filho, que fala e escreve em francês com a fluência de um parisiense culto e veste das boutiques da Rue Furstemberg, em Saint-Germain-des-Prés, é o anfitrião perfeito. O charme da pernagem e o espírito do lugar fazem Ferro vibrar de emoção e procurar sempre que pode o mestre para aprender novas lições. A submissão é tal que fica perturbado e em crise sempre que ele o repreende. Além da admiração por Sidónio, os dois homens têm em comum a apetência pela escrita e o fascínio pelas ditaduras".
"António Ferro, O Inventor do Salazarismo", Orlando Raimundo, D. Quixote, 2015, págs 96 e 97
Subscrever:
Mensagens (Atom)







































