sábado, 9 de janeiro de 2016

Para uma História das Agências Noticiosas - Memórias de Luís Lupi, fundador da Lusitânia IV


Prosseguimos a reprodução de páginas do livro "Memórias - Diário de um inconformista (1943 - a 1957)", de Luís Lupi. Numa entrada de Dezembro de 1943, em plena II Guerra Mundial, aquele que viria a ser o fundador da agência Lusitânia, diz: "O que eu desejaria era que a exemplo da Associated Press, as empresas que editam jornais portugueses se associassem formando uma agência cooperativa noticiosa portuguesa, sem fins lucrativos, capaz de oferecer à opinião pública um serviço independente de influências e favores de origens estrangeiras [...]"

Já numa entrada de Maio de 1944 relata um episódio curioso - sendo à altura correspondente da AP em Portugal, Lupi tem um papel activo no envio para os Estados Unidos de uma preciosa tele-impressora que estava nos escritórios da agência norte-americana em Berlim e que, devido ao conflito, se temia que pudesse cair em mãos alemãs. O aparelho foi expedido de lá para Lisboa e, daqui, para o outro lado do Atlântico, por acção directa de Lupi.

Finalmente, em Agosto de 1944, com a guerra a terminar em teatro europeu, Lupi faz uma comunicão ao II Congresso da União Nacional, onde defende mais uma vez junto do regime a necessidade de criação de uma agência noticiosa portuguesa. Essa ideia seria mesmo editada na altura por ele em opúsculo, intitulado "Consolidação da Unidade Portuguesa".












segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Belmiro Vieira (1924 - 2015)


Faleceu no domingo, 27 de Dezembro, o jornalista Belmiro Vieira. Nascido na Cidade da Praia, Cabo Verde, em 16 de Outubro de 1924, era irmão do jornalista e escritor Arménio Vieira.

Belmiro Vieira foi dos quadros da ANOP, onde chegou a Chefe de Redacção. Antes, trabalhou no Diário de Luanda. Em 1979, é dos fundadores do Correio da Manhã, onde também foi Chefe de Redação e se manteve até 2001.

Colegas recordam-no como "bom homem, calmo, sossegado, ponderado..."; ou "divertido, sempre com histórias de Angola e dos automóveis". Foi presidente da Comissaão Desportiva do Automóvel e Touring Clube de Angola (ATCA).

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

António Vaz Gonçalves (1941 - 2015)


Morreu o Vaz! A notícia entristeceu todos os que conviveram com este homem discreto, gentil, prestável, que se cruzou com tantas gerações nas Agências Noticiosas.

Nascido a 26 de Março de 1941, em Freineda, Guarda, António Vaz Gonçalves era da fornada de Operadores de Telecomunicações que passaram pelas ANI/ANOP/NP/Lusa oriundos das Forças Armadas.

Admitido em 1964 na ANI, reformou-se da Lusa em 2003 e vivia em Marinhais, Salvaterra de Magos.

David Gomes, também ele Operador de Telecomunicações, recorda: Foi o Vaz que me avaliou quando prestei provas para entrar para a ANI. E sempre foi de uma gentileza e camaradagem sem igual. Um trabalhador incansável. Sempre Pronto a ajudar, sempre com um sorriso".

É isso. O Vaz acaba de partir, mas o seu sorriso gentil ficará para sempre na memória de quem o conheceu.

sábado, 7 de novembro de 2015

Para uma História das Agências Noticiosas - Memórias de Luís Lupi, fundador da Lusitânia III


Na entrada de Outubro de 1939 do seu Diário, Luís Lupi refere "Mais uma tentativa...". Trata-se do seu esforço para a fundação de uma agência noticiosa em Portugal. A futura agência chamar-se-ia... Lusa. Mas os esforços do depois fundador da Lusitânia seriam mais uma vez frustrados.

Acrescentamos ainda uma entrada de 9 de Outubro do mesmo ano, onde Lupi se refere às diligências das agências Reuter e Associated Press, num contexto de guerra na Europa e de um Portugal neutral. Luís Lupi, que até aí acumulava as funções de correspondente das duas, passa a ser apenas da norte-americana Associated Press, pois os Estados Unidos ainda eram país neutral, enquanto a britânica Reuter representava os interesses de um dos beligerantes, a Grã-Bretanha.

Material publicado em Memórias - Diário de um inconformista (1938 a 1943) II Volume (Lisboa, 1972)







Jantar das Agências - Natal 2015 - inscrições até 28 de Novembro


Da organização:

JANTAR DAS AGÊNCIAS

04.DEZEMBRO.2015

O Natal de 2015 está à porta e com ele o 6º grande jantar das Agências.

Este jantar é organizado para todos os que trabalham ou trabalharam na Lusa ou em qualquer uma das agências que a antecederam e com ele procura-se reunir todos os que têm em comum o facto de fazer parte de uma “casa” muito especial que é…a nossa.

Todos os anos, o número de participantes tem aumentado e esperamos que desta vez sejamos ainda mais para lembrar tempos passados e dar força aos que hoje continuam a fazer da agência a grande referência da comunicação social portuguesa.

Dia 4 de Dezembro de 2015, às 20h00
Local: Comuna – Teatro de Pesquisa
Morada: Praça de Espanha – Junto ao Hotel Novotel
*Tem estacionamento

MENU
queijo fresco
chouriço assado/azeitonas
pão saloio e broa
lombo de porco assado com castanhas/ameixas
(arroz e salada) arroz doce
rabanadas
vinho tinto / vinho branco / cerveja águas e sumos
café

Preço por pessoa: 17,50 €

Participe e seja solidário. Traga uma contribuição para o nosso cabaz solidário (arroz, massa, óleo alimentar, enlatados, etc). A Caritas irá recolher a nossa oferta. Confirme a sua participação até 28 de novembro por e-mail para: jantardasagencias@gmail.com

Depois do jantar teremos disco-jóquei e podemos dançar e conviver até mais tarde.

domingo, 1 de novembro de 2015

Para uma História das Agências Noticiosas - Memórias de Luís Lupi, fundador da Lusitânia II


Em 1938, quando a II Guerra Mundial já se desenhava no horizonte, Luís Lupi é, além de correspondente da britânica Reuter em Portugal (desde 1928), ainda correspondente da norte-americana Associated Press (desde 1932). É como correspondente dessas agências noticiosas que cobre a Guerra Civil de Espanha (1936 - 1939).

Figura controversa, salazarista convicto, assume-se anti-nazi e continua a ver adiado o seu projecto de criar uma agência noticiosa portuguesa, "que permitesse aos portugueses, onde quer que estejam, serem imediatamente informados do que acontecia a outros portugueses - fossem esses acontecimentos felizes ou infaustos - para que a distância, pela informação, fosse vencida!", como ele escreve nas suas Memórias, Volume II (Lisboa, 1972).

Luís Lupi refere a Havas (precursora da francesa Agence France Press), que monopoliza o noticiário em Portugal continental; a Reuter, que domina nos territórios das então colónias portuguesas; a soviética TASS. E fala do seu projecto de fazer a Reuter abrir uma delegação no Brasil. De qualquer modo, é Lupi quem está por detrás, em 1938, da pimeira ligação noticiosa directa diária entre Portugal e o Brasil (via Rádio Marconi).

Anti-nazi, Lupi refere com preocupação a agência noticiosa alemã DNB (a DNB Nachrichten Büro, que no pós guerra daria lugar, em 1949, à DPA - Deutsche Presse-Agentur), "que há tempos se vem a introduzir na imprensa portuguesa, oferecendo grátis e nalguns casos pagando pelo seu noticiário, exerce, nos últimos tempos, um verdadeiro assalto à opinião pública nacional".

"A Reuter foi banida da imprensa metropolitana portuguesa: seria substituída pela Havas, mas esta acha-se tão abalada na sua influência informativa tal como a França a oferece ao mundo, nesta ocasião, um triste espectáculo de desagregação político-social", afirma Lupi.

Para contrabalançar o caudal de propaganda do Reich, o correspondente em Lisboa da Reuter e da Associated Press consegue que informação anglo-saxónica penetre no Diário de Lisboa e no Diário de Notícias. Com grande irritação de Berlim, Ribbentrop, embaixador alemão em Londres (e depois ministro dos Negócios Estrangeiros) queixa-se do jornalista português ao embaixador português, Armindo Monteiro (pai do escritor Luís de Sttau Monteiro).

Por último, deixamos aqui uma entrada de 1939 nas Memórias de Lupi. Nela, refere-se António Ferro, Director do Secretariado da Propaganda Nacional, "que tudo compra, e a questão é apenas o preço". Ferro quer pagar à Reuter para que a agência fale melhor de Portugal. Lupi acha a ideia inconcebível. As duas personagens nunca se deram bem e há quem veja nisso os entraves que Lupi teve para concretizar o seu projecto mais querido - a criação de uma agência noticiosa portuguesa.










quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Para uma História das Agências Noticiosas - Memórias de Luís Lupi, fundador da Lusitânia I


Luís Caldeira Lupi fundou a Agência Noticiosa Lusitânia em 1944, a primeira do seu género no país. A Agência viria a ser nacionalizada em 1974, após a queda do regime da Ditadura e o advento da Democracia. Os quadros da Lusitânia, juntamente com os da ANI e da Telimprensa (fotografia), passariam para a ANOP.

Respigamos aqui alguimas entradas do livro "Memórias - Diário de um inconformista", volume I (Lisboa, 1971).

Desde logo, em 1928, o registo do início da profissão de jornalista, com o seu amigo Fernando Pessoa a sugerir-lhe antes o caminho de "correspondente comercial"..



Depois, a referência a John Marsden, "decano dos correspondentes da imprensa estrangeira em Portugal". Também de 1928.


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Alusão ao "stringer" em Coimbra da Agência Reuter, St. George West, Professor na Universidade. Luís Lupi foi durante vários anos o correspondente da britânica Reuter e da norte-americana Associated Press (AP).


Finalmente, numa entrada do início de 1929, o estudo para a formalização de uma delegação da Reuter em Lisboa. Voltaremos às Memórias de Luís Lupi e ao seu desejo de Portugal vir a ter uma Agência Noticiosa.

domingo, 6 de setembro de 2015

Vasco Costa Noronha (1966 - 2015)


Vasco Noronha, ex-jornalista da agência Lusa, do Diário Económico e atual assessor da empresa Parpública, morreu este sábado aos 49 anos, confirmou a agência Lusa junto de vários amigos.

Vasco Costa Noronha nasceu em 1966 em Lourenço Marques (atual Maputo), Moçambique, e fez a sua formação universitária em Direito na Universidade Católica, em Lisboa.

Frequentou o curso do Cenjor – Centro Protocolar de Jornalistas, em Lisboa, e iniciou a sua carreira como jornalista na agência Lusa, entre 1995 e 2000, na editoria de Economia, e no jornal Diário Económico, entre 2000 e 2005.

Depois de uma experiência de assessoria ao ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos, no governo liderado pelo PS, entre 2005 e e 2009, ano em que passou a desempenhar as funções de assessor para a comunicação da holding Parpública, que gere o património e as participações empresariais do Estado.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

O processo ANOP / NP...


Cartoon de António, de 1982, no meio do processo de tentativa de extinção da ANOP e da criação da Notícias de Portugal. À direita, José Alfaia, à altura Secretário de Estado da Comunicação Social.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Luís Vitta (1945 - 2015)


Luiz António Iglesias Vitta (06/11/1945 - 21/07/2015)


Luís Vitta, à direita, num almoço, nos tempos da ANOP, com Luís Vasconcelos, Alfredo Cunha e Adelino Namorado dos Vultos (já falecido)

Luís Vitta, jornalista da Lusa durante 16 anos, morreu hoje de madrugada, aos 69 anos, no Hospital de Cascais, disse à Lusa uma fonte familiar. Natural de Jaboticabal, São Paulo, Brasil, Luís Vitta era licenciado em Direito, fugiu à ditadura brasileira e chegou a Portugal em 1974, a seguir ao 25 de abril, e entrou para a então ANI (Agência Nacional de Informação), em novembro desse ano. Após a revolução, a ANI deu origem à ANOP (Agência Noticiosa Portuguesa), onde trabalhou até novembro de 1982, ingressando nesse ano na Notícias de Portugal (NP), sendo depois jornalista fundador da Lusa, em 1987, após a fusão da ANOP com a NP.

Depoimentos:

Fernando Correia de Oliveira: O Luís Vitta foi, para os que da minha geração estavam na Agência, o primeiro contacto directo com o humor brasileiro e o tratamento tão especial que é dado ao Português do outro lado do oceano. Do alto da sua cabeleira, corpo magro e desengonçado, vestuário sempre de ganga, t-shirt, ia-nos brindando com frases como "por cima de mim só avião da Varig". Dava-nos conta do que tinha acontecido no funeral de um amigo, com o filho desesperado, a gritar: "Quem beijou, beijou! Quem não beijou, caixão fechou!!". Além da sua carreira em agências, teve vasta colaboração em títulos ligados à música, como o Blitz. Fez o programa Meia de Rock, na Renascença, com o Rui Pego. Esteve na génese da carreira dos GNR ou ajudou a singrar o barbeiro onde ia às vezes... o António Variações. Mas, disso, saberá melhor o Luís Pinheiro de Almeida, ou o Manuel Falcão, que o acompanharam em algumas dessas digressões rockistas.

Carlos Almeida: Vitta para mim: "OH Jacaré, passa na rádio, vai à receção e levanta dois bilhetes para o concerto que estão lá para mim?" Digo-lhe: então, vamos as duas? Vitta: "Não, desgraçado, levo a minha namorada. Depois posso é cantar um pouco para você ficar com uma ideia como correu...".

Manuel Falcão: Quem trabalhou com ele nunca o esquecerá - e sempre por boas razões. Era um amigo e um grande profissional e o Blitz deve lhe muito.

Margarida De Mello Moser: Lembro-me sempre do Luis Vitta com ternura e um sorriso quando recordo as partidas que fazia à Teresa [telefonista]: "ligue me a Madre Teresa de Calcutá " e horas depois: " Sr. Vitta não consigo encontrar o telefone em lado nenhum ..." . Também me lembro duma espantosa feijoada que ele cozinhou para nós na " tremeliques".

Em baixo, Luís Vitta, à direita, na redacção da NP - Notícias de Portugal, com Fernanda Ribeiro, Fernando Correia de Oliveira, Luís Pinheiro de Almeida e Armando Sereno (já falecido)

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Helena Mensurado (1931 - 2015)


(foto Manuel Moura)

Helena Mensurado morreu hoje, em Lisboa, aos 83 anos, Maria Helena Soeiro Mensurado nasceu a 14 de Julho de 1931, em Benguela, no sul de Angola, onde iniciou a carreira jornalística, aos 18 anos, como estagiária, no Rádio Clube de Benguela.

Em Portugal, iniciou a sua carreira no Rádio Clube Português, em 1963, através da produtora independente Radio Press Office. Aí, foi a primeira jornalista radiofónica no país, redigindo e dando voz aos apontamentos do programa "Nova Linha", um dos primeiros programas puramente noticiosos que existiram na rádio nacional, 

Helena Mensurado trabalhou a partir de 1977 na Agência Noticiosa Portuguesa (ANOP) e na Lusa - Agência Notícias de Portugal, quando esta foi criada, em novembro de 1986, após a extinção das anteriores agências - ANOP e Notícias de Portugal (NP). 

Trabalhou ainda no Jornal Novo, em A Capital e no Semanário e colaborou em diversas produções da RTP. 

No cinema, Helena Mensurado desempenhou um papel de si mesma (um "cameo"), como jornalista de uma redação, no filme “O Lugar do Morto” (1984), dirigido por António-Pedro Vasconcelos.

Era irmã da jornalista Edite Soeiro, foi casada com o jornalista José Mensurado, ambos já falecidos, Com este, teve um filho, também jornalista, Pedro Mensurado.

Depoimentos:

Luís Pinheiro de Almeida, durante vários anos Editor de Helena Mensurado, na editoria de Política, na ANOP: A Maria Helena Mensurado era uma querida amiga. Era teimosa como eu, mas de uma afabilidade e de uma ternura raramente vistas em redacções em permanente stress.

Tinha sempre uma palavra de mãe para as desvarios próprios de um jornalista permanentemente com os nervos à flor da pele. Protegi-a o mais que pude.

A Maria Helena vinha de uma escola de jornalismo diferente da que caracteriza uma agência noticiosa. Vinha de um jornal, de “A Capital”, se bem lembro, e são históricos os choques entre as duas escolas. Uns a escrever muito, outros a escrever só o necessário. A Maria Helena não fugiu à regra, mas, com o seu saber de experiência feito, lutou e lutou muito para levar a carta a Garcia, para se conter nas 35 palavras do lead.

E quando a caminhada já era demasiado veloz para o seu passo, continou a ser de uma extrema utilidade para a agência nacional. Sábias as suas biografias, completos os seus backgrounds que acrescentavam mais-valia às notícias dos putos. Até sempre, camarada, gosto de ti e não me esqueço do livro dos Beatles que me ofereceste em Março de 1982, quando éramos mais jovens 

Nuno Simas, Director-Adjunto da Lusa: "A Helena representou, para mim, a transmissão, de geração para geração, de saber, experiência e de camaradagem!"

Natal Vaz: "Conheci a Helena no jornal A Capital há para ai uns 40 anos... ela contava historias que me deixavam com os olhos arregalados! Uma grande senhora!"

Fernanda Mestrinho; "Uma boa amiga, uma senhora e a integridade no jornalismo".

Afonso Camões, Director do Jornal de Notícias: "Mulher valente, excelente profissional, minha camarada nos primeiros tempos do Semanário".


(foto Manuel Moura)


(foto Manuel Moura)


(foto Manuel Moura)

Num almoço de confraternização da ANOP. Vêem-se ainda Mário Moura, Maria Júlia Fernandes, Artur Margalho e, ao fundo, Fernando Cascais e Fernando Correia de Oliveira


Num jantar de confraternização de ex-ANOP, em 2011