sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Joaquim Letria (1943 - 2026)

(Foto: arquivo JN)

Morreu Joaquim Letria, aos 82 anos. A notícia da morte foi confirmada à Lusa por fonte familiar, que adiantou que o jornalista se encontrava há algum tempo debilitado, mas não estava doente.

Nascido em Lisboa em 1943, Letria ingressou no jornalismo em 1962, iniciando a carreira no extinto Diário de Lisboa. Foi repórter da Associated Press e correspondente da agência Deutsche-Presse Agentur até 1970. Mudou-se para Londres, pouco depois, para trabalhar como programme assistant na BBC.

Em 1974 regressou a Portugal, no pós-25 de Abril, para ser director de informação na RTP. Foi por essa altura que teve um desentendimento com o então Presidente da República António Spínola, que chegou a defender o despedimento do jornalista. Não tardou que Letria recebesse o Prémio da Imprensa na categoria Televisão, atribuído pela Casa da Imprensa, pela “vivacidade e tom pessoal que conferiu ao seu trabalho”.

Joaquim Letria fundou os semanários O Jornal (hoje revista Visão), o Tal&Qual e as revistas Sábado e Tempo Livre, dos quais foi o primeiro director. Foi eleito presidente do Sindicato dos Jornalistas e porta-voz do Presidente da República Ramalho Eanes até 1986.

A partir de 1987 dedicou-se ao ensino. Foi professor auxiliar na Universidade Autónoma de Lisboa e professor convidado do Instituto Superior das Ciências da Informação e da Administração, colaborando na criação e reestruturação de conteúdos e formatos de programas de TV e rádio e na redefinição de jornais e revistas, integrado em grupos de especialistas de Londres, Madrid e Munique.

Esta é a notícia do Público, que, como a generalidade das restantes, omite a passagem de Joaquim Letria pela ANOP.

O depoimento de José Manuel Barroso:

Há momentos em que é difícil falar de companheiros e amigos. Não porque se não deva, mas porque dói. Do Joaquim, hoje, é. Pelas voltas da vida, o Joaquim e eu cruzamo-nos em momentos particulares.

Da primeira vez, tínhamos ambos 16 anos, numa militância estudantil e política. Calhou eu suceder ao J. Letria,  enquanto presidente de uma organização chamada Pro-Associação dos Liceus - uma daquelas coisas que o PCP inventou, no tempo da ditadura, para reunir jovens adolescentes, estudantes lucrais, e os encarreirar para a militância sob a capa do associativismo. O Joaquim e eu chegamos, deste modo, ao PCP e às lutas académicas.

Quando eu, já jornalista, terminei a tropa (jovem capitão) fui convidado pela gente de O Jornal para ingressar neste semanário. O director de então chama-se Joaquim Letria. A redação desta espécie de cooperativa de jornalistas (dissidentes do Diário de Notícias sob direção comunista) tinha nomes grados. José Carlos de Vasconcelos, Silva Pinto, Sarsfield Cabral, Fernando Assis Pacheco, Bessa Murias, Almeida Martins, entre outros. Com eles aprendi muito.

De O Jornal, passei para a agência Anop, a agência noticiosa pós 25 de Abril,  pós ciclo PCP, (antecedente da atual Lusa), da qual fui director e a qual profundamente remodelei (com o Wilton Fonseca). Após essa modernização, a redação da Anop foi acrescentada com outros grandes nomes do jornalismo, como grandes repórteres: Antonio Mega Ferreira, Helena Vaz da Silva, Maria Antónia Palla, Hernâni Santos, Jaime Antunes, e… Joaquim Letria.

Os nossos destinos cruzaram-se, assim, muitas vezes. A nossa amizade permaneceu sempre firme. Nestes momentos em que a memória assoma fortemente, tudo regressa. Como um champanhe da vida. E com o permanente sorriso do Joaquim, que apreciava coisas boas.

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Virgínia Veiga (1953 - 2026)


Antiga jornalista na delegação de Coimbra da ANOP, faleceu Virgínia Veiga, aos 73 anos.

A notícia da Rádio TerraNova:

A advogada, antiga militante do PS, deputada municipal, faleceu no Hospital de Salreu. Foi uma das cerca de 300 pessoas da região presas pela PIDE e encarceradas em Caxias entre 1936 e 1974. A sua história integra o contexto histórico de repressão política em Portugal e a luta antifascista. Integrou de forma ativa a estrutura do Partido Socialista a nível local e nacional.

Esteve na política ativa, na Assembleia Municipal de Aveiro no mandato 1993-1997, que marcaria a saída de Girão Pereira e a passagem de Celso Santos à liderança da autarquia.

Destacou-se pela participação em debates sobre segurança no Complexo Químico de Estarreja, sobre as acessibilidades à Barra, onde chegou a residir, ou sobre projetos polémicos em Aveiro.

Afirmava-se mulher do jornalismo, pela experiência em publicações de referência no país, tendo sido jornalista profissional da Agência Noticiosa ANOP, atual LUSA, e colaboradora do semanário Expresso. Foi também fotógrafa, iniciando a atividade no Diário de Notícias.

Presidiu à Associação de Direito e Economia Europeia, sediada na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, tendo vencido o Prémio Mulheres da Europa. Chegou a gravar programas sobre história para a Antena 2 dando corpo à sua paixão e estudo pela história. Na atividade cultural desempenhou funções de presidente do Ateneu Comercial do Porto.

Foi ativista de causas várias e na ligação aos meios locais colaborou ativamente no relançamento da antena da Terra Nova destruída pelo mau tempo em Fevereiro de 2016 por acreditar na “importância” dos meios em matéria de segurança e democracia.


Depoimentos:

Os meus pêsames à família da Virgínia Da Silva Veiga!

Fui hoje surpreendido pela triste notícia.

Como jornalista que fui da LUSA, sucessora da ANOP, em cuja delegação de Coimbra ela trabalhou com Fausto Correia e António Marinho, o mesmo andar depois ocupado pela LUSA, na rua das Padeiras, conheci a Virgínia enquanto camarada de profissão.

Ficámos amigos e acompanhei depois o seu percurso, incluindo como jurista, fundadora e líder empenhada da Associação de Estudos Europeus de Coimbra, que durante algum tempo organizou um ciclo memorável de jantares-debate, com diferentes oradores, no Hotel Astória, para os quais convidava sempre os jornalistas de Coimbra.

Tínhamos vários amigos comuns, no jornalismo e na política, o que reforçou a nossa amizade, tanto mais que também eu tinha sido aluno da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.

A minha solidariedade a toda a família da Virgínia.

Até sempre!

Casimiro Soares Simões


Os meus sentimentos á família e amigos. Grande Senhora. Trabalhei com ela no Diário de Notícias , em Coimbra. Pessoa fantástica. Paz á sua alma. Um beijinho, amiga. Até um dia.

Luís Carregã


(foto  Rádio TerraNova)

terça-feira, 28 de julho de 2026

Eduardo Trigo (1933 - 2026)

Nascido na véspera do Natal de 1933, o transmontano Eduardo Trigo dividiu a sua vida por três grandes áreas – desporto, comunicação social e agricultura. Nos anos 1960, esteve na génese da Academia Olímpica Portuguesa e exerceu uma longa carreira dedicada à Educação Física. Nos anos 1980 foi Presidente da agência NP – Notícias de Portugal e do jornal Diário Popular, nos anos 1990 presidiu à Direcção-Geral de Comunicação Social e foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social. Reformado, dedicou-se à produção de azeite e vinho na propriedade há mais de dois séculos na família, a Quinta do Couquinho, em Horta da Vilariça, Torre de Moncorvo, de onde têm saído produtos nacional e internacionalmente premiados.

Mantivemos com ele, ao longo de décadas, uma relação de grande cordialidade e cumplicidade profissional, cimentada pelos breves anos da NP e continuada depois disso. O Professor Trigo, como era conhecido, ofereceu ao Arquivo Ephemera, por nosso intermédio, uma rica e vasta documentação sobre a sua actividade no Desporto, abrangendo os anos de 1940 a 1970; e na Comunicação Social, dos anos 1980 a 1990.

Em jeito de homenagem, algumas imagens do nosso baú. Até sempre, Professor!









segunda-feira, 23 de março de 2026

Ricardo Madeira Romão (... - 2025)


Alertados pelo João Pinheiro de Almeida, ficámos a saber pelo Relatório e Contas da Casa da Imprensa para 2025 que Ricardo Madeira Romão faleceu a 20 de Outubro do ano passado. Quadro da ANI, trabalhou sempre na área da Economia e, depois no Internacional.



Nas fotos, um jantar no David da Buraca, em 1988. Em cima, reconhecem-se ainda Horta Lobo, Fernando Correia de Oliveira e Eduardo Oliveira e Silva. Na de baixo, entre outros, Margarida Moser, Luís Varanda de Castro (já falecido), João Pedro Martins (já falecido), Valdemar Afonso, João Maló (já falecido), Teresa Mendes, Ângela Silva, Jorge Oliveira (já falecido), Anabela Natário.



Em primeiro plano, João Carlos Silva.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Para uma história das Agências - há 40 anos, a Notícias de Portugal apresentava o seu Relatório e Contas referente a 1985

Há precisamente 40 anos, o Administrador Jorge Miranda apresentava o Relatório e Contas referente a 1985 da Notícias de Portugal, que seria aprovado a 7 de Março seguinte. Do que se passou nesse ano, sublinhar que o Estado revogou unilateralmente o contrato inicial de financiamento a 8 anos, que passou a ser anual, diminuindo também as verbas previstas. E fala-se da dificuldade em concretizar o plano de informatização da Redação.

A NP - Notícias de Portugal, Cooperativa de Utentes de Serviços de Informação, C.R.L. iniciou a sua atividade como agência noticiosa em Novembro de 1982. Cessou-a a 31 de Dezembro de 1986, A 1 de Janeiro de 1987 nascia a LUSA, produto da fusão entre a ANOP e a NP.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Para uma história das Agências - trabalho e sindicalismo no Serviço Económico e Social da Notícias de Portugal

Há precisamente 40 anos, o jornalista Carlos Simões enviava-nos um relatório enquanto Editor do Serviço Económico e Social (SES) da Agência Notícias de Portugal, sobre os primeiros meses de produção de noticiário de Trabalho e Sindicalismo naquela nova editoria.

O SES foi pioneiro em Portugal na produção de noticiário especializado económico, financeiro e social com envio direto aos clientes, por assinatura. O SES foi lançado depois de termos feito um estágio na agência Reuters, na sua delegação de Paris.

Faziam parte do SES, além de mim e do Carlos Simões, Sérgio Soares, Paula Figueiredo, Rui Moreira, Isabel Athayde Cordeiro, João Vasconcelos e Luís Paixão Martins.

domingo, 5 de outubro de 2025

Há 45 anos, a coordenar na ANOP a cobertura das eleições legislativas de 5 de Outubro

Há 45 anos, a coordenar o Serviço Provisório Eleitoral (SPEL), da ANOP, à altura na Rua Júlio de Andrade, ao Torel, em Lisboa. Neste 5 de Outubro de 1980 houve eleições legislativas, com a vitória da Aliança Democrática. À esquerda, de costas, Fernando Brederode Santos, e Francisco Neves. À direita, Luís Paíxão Martins e, de costas, Manuel da Costa?

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Recordando Suleiman Valy Mamed (1937 - 1995)


Ato de assinatura de acordo de cooperação entre a ANOP e a agência noticiosa de Angola, ANGOP, em 1980. Nas instalações da ANOP, na Júlio de Andrade, ao Torel, em Lisboa.

Da esquerda para a direita, em pé, reconheço Carlos Martins, José Manuel Barroso, Pedro Alenquer, João Melo, eu e o Wilton Fonseca.

Sentado, ao centro, o então Presidente da ANOP, figura ligada ao PPP / PSD e líder da Comunidade Islâmica no país. Ver aqui.


segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Recordando o Garganta Funda...


Anos 1970. Ainda a ANOP era no Marquês de Pombal. Exposição com trabalhos fotográficos dos trabalhadores da agência. Além de mim, reconheço o motorista cuja alcunha cruel era "Garganta Funda" (cancro na garganta, falava por um aparelho) e o Manuel Moura.

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Desenhos de Roby Amorim - o resto...


Sobre o jornalista Roby Amorim, já falámos aqui, aqui, aqui ou ainda aqui, sobre a sua capacidade de desenhar. E, da nossa coleção, mostrámos alguns dos seus desenhos, aqui e aqui. Deixamos agora aquilo que pensamos ser o restante.





Maria de Lourdes Pintassilgo



Fernando Pessoa?











Soares Carneiro?