terça-feira, 7 de abril de 2015

Fernando Fraga da Silva (1946 - 2015)


Nascido a 9 de Fevereiro de 1946, Fernando José Coelho Fraga da Silva era Tenente do Exército Português quando ingressou em 1978 na ANOP, iniciando aí uma carreira jornalística nas agências noticiosas que iriam levá-lo ainda à Notícias de Portugal (1982) e LUSA (1986).


Enquanto quadro das agências noticiosas nacionais, esteve nas editorias Internacional, Agenda, Comunidades e Novos Produtos e foi editor de fim-de-semana. Paralelamente, e dado o seu gosto pela Informática, acompanhou como representante dos jornalistas, os desenvolvimentos tecnológicos aplicados às Redacções onde trabalhou.

Essa qualidade específica de aliança entre jornalismo e know-how tecnológico leva-o à fundação da estação de televisão SIC, em 1992, onde foi o responsável pela informática aplicada ao processo editorial. Reformou-se em 2010.

Fernando Fraga da Silva foi ainda, em 2006 e 2007, docente na Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa.

Fernando Fraga da Silva era um amante de fotografia e colecionador de máquinas fotográficas antigas. O seu último projecto foi um levantamento sobre a evolução das máquinas Reflex, projecto que contava editar em livro.

Era casado, pai de uma filha e avô de duas netas. Faleceu à primeira hora de sábado, 4 de Abril de 2015, vítima de cancro.

O Fraga, como era conhecido, fazia parte de uma tertúlia, o chamado Grupo de Marinhais, que se reunia assiduamente, um pouco por todo o país, em redor uma boa mesa, mas com mais frequência em Marinhais. Os outros membros do grupo, veteranos das agências noticiosas portuguesas - João Pinheiro de Almeida, Luís Pinheiro de Almeida, João Pedro Martins e Fernando Correia de Oliveira - recordam o amigo de 4 décadas. "Discreto, mas marcante!".


O Grupo de Marinhais: João Pinheiro de Almeida, Luís Pinheiro de Almeida, Fernando Correia de Oliveira, João Pedro Martins e Fernando Fraga da Silva

Guardam do Fraga "a gargalhada seca e em crescendo, sarcástica, arma de arremesso do seu humor ultra-fino. E o seu disparar fraseado, com pressa tal que algumas palavras não chegavam a sair, na rapidez do pensamento".

Lembram as suas exclamações típicas - "não é nada disso, pá!", "isso não presta para nada, pá! ", "esse computador é bom para o lixo, pá!" ou, comentando uma qualquer novidade tecnológica: “não tem nada que saber, pá..... ora vê lá.... eh, eh, eh.” (riso sarcástico).

Numa discussão, "o Fraga tinha sempre mais elementos, mais precisão de nome, de data, de circunstância", recordam.

Mas, sublinham os outros elementos do Grupo de Marinhais, apesar do gosto pela informática e pelas novidades tecnológicas, o Fraga nunca aderiu ao Facebook nem estava presente nas redes sociais, avisando sempre para o perigo potencial que isso representava.

Os companheiros de tertúlia rematam: "Foste um amigo de quatro décadas. O discreto que marcou. Estarás na nossa memória. No próximo almoço, ergueremos um copo por ti. Até sempre, camarada!"

Em baixo, imagem de uma das últimas mensagens que enviou a amigos, típica do seu humor fino.


Outros depoimentos:

"Tinha algo fundamental: calma. E transmitia confiança, pelo que dizia e, por vezes, pelo que deixava de dizer". Nuno Simas, Director-Adjunto da Lusa.

Na equipa fundadora da estação televisiva SIC, foi "escolhido em boa hora, foi muito importante porque ele era responsável pela informática e tinha uma muito grande componente jornalística". José Mário Costa, também ele fundador da SIC.

"Nunca tive o prazer de trabalhar directamente com ele, mas recordo do seu sorriso terno e sincero, da sua presença discreta e do seu ar sempre "zen", que faziam a diferença no caos da redacção. Recordo-me que sorria com o olhar e percebo a falta que um amigo como ele deva fazer. Que nos vossos próximos encontros nunca falte um brinde a este Amigo, que ele onde quer que esteja estará a brindar convosco...com um sorriso. Um abraço a todos a partir de Moçambique". Sílvia Fernandes, antiga jornalista da Lusa.

"A paciência, a simpatia do Fraga. Deixa saudades. O Fernando era o responsável da Informática na SIC. Um dia enviou-me um mail, matéria importante, imprimiu-o e veio entregar-me o papel em mão no corredor.
- Mas porque é que me trazes um print, se já me enviaste a informação por mail?
- É para ter a certeza que o vais ler - respondeu-me.
Fiquei a gostar ainda mais dele a partir desse dia". João Carlos Barradas, antigo jornalista da Lusa e da SIC.

"Tive o prazer de trabalhar muitas vezes directamente com ele, na "ponte" entre a DT e a DI. Muitas memórias! A dada altura, os jornalistas até deram o nome de "fraguinha" ao cursor nos primeiros computadores", Fernando Pires, responsável técnico na Lusa.

"Recordo o ar tranquilo, calminho. Estava quase sempre a sorrir. Não a rir, a sorrir. É esta a imagem que guardo". Paula Colaço, antiga jornalista da Lusa e da SIC.

"O Fraga tinha um sorriso doce. Um sorriso menino em que os olhos acompanhavam a boca". Cláudia Páscoa, jornalista da Lusa.

"Pelo tempo que contactei com ele (já lá vão muitos anos), fiquei com a ideia de um tipo muito sóbrio e muito competente. Não me esqueci do dia em que, na NP, por haver muito pouca gente no internacional, fui lá fazer uma perninha. Pois o Fraga não se acanhou e corrigiu (e bem) uma notícia que, embora feita pelo director, não estava inteiramente de acordo com as regras... Que descanse em paz!". Appio Sottomayor, antigo Director de Informação da agência noticiosa NP - Notícias de Portugal.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Jantar das Agências - Natal 2014


GRANDE JANTAR DAS AGÊNCIAS - 2014

O Natal de 2014 está à porta e com ele o 5º grande jantar das Agências.

Este jantar é organizado para todos aqueles que trabalham ou trabalharam na LUSA ou qualquer uma das agências noticiosas que a antecederam e tem por missão reunir todos aqueles que têm em comum o facto de fazer parte da história de uma “casa” muito especial…a nossa…

Apelamos a todos os que não têm participado para que este ano venham...

VENHAM MESMO !!!

Dia 5 de Dezembro de 2014, às 20h00

Local: Restaurante CIF

Morada: Avenida dos Bombeiros, Caramão da Ajuda em Monsanto – ao lado do centro Helen Keller

http://www.restaurantecif.com/

Ementa:

Entradas

Sopa de Legumes

Arroz de Pato

Sobremesas várias

Bebidas (Águas, Cerveja, Refrigerantes, Vinho Tinto e Branco da casa) café

Preço por pessoa: 16,50 euros

Participe e seja solidário. Traga uma contribuição para o nosso cabaz solidário (um quilo de arroz, massa, óleo alimentar, enlatados… o que puder oferecer). A Caritas irá recolher a nossa oferta.

Confirme a sua participação até 28 de Novembro por e-mail para:

jantardasagencias@gmail.com

sábado, 9 de agosto de 2014

Rui Camacho (1936 - 2014)


(foto DN)

O jornalista Rui Camacho, que foi chefe de redação da ANOP, que mais tarde deu origem à agência Lusa, morreu aos 78 anos, a 5 de Agosto de 2014, vítima de doença prolongada.

Casado com a escritora e jornalista Helena Marques, Rui Camacho deixa quatro filhos, entre eles Paulo Camacho (antigo jornalista da SIC) e Pedro Camacho, director da revista VISÃO. Nascido no Funchal em 1936, Rui Camacho trabalhou no Diário de Notícias do Funchal, foi correspondente, na Madeira, do Diário de Lisboa, da Paris Match e da Associated Press (AP), entre 1955 e 1970.

Paralelamente, foi professor do ensino secundário e da escola de hotelaria e turismo do Funchal, além de adjunto da direção da Madeira Engeneering (construções navais).

Entre 1971 e 1973, Rui Camacho foi redator da revista Flama, chefe de redação adjunto do Jornal do Comércio e colaborador das agências Ciesa, Latina e Penta.

Chegou a subchefe de redação do República e a chefe de redação da ANI - Agência Noticiosa de Informação, com a tarefa específica de elaborar o projeto da futura ANOP.

Depois do 25 de Abril, foi chefe de redação do jornal A Luta, do qual foi cofundador, juntamente com a direção e um grupo de antigos redatores do República.

Entre 1978 e 1985, foi chefe de redação da ANOP, tendo sido requisitado em comissão de serviço para a coordenação geral das redações da RTP (1979) e para a chefia da redação da RTP Informação 2.

Ainda durante este período foi chefe de redação da revista Negócios (1980-1984). Entre 1986 e 1988 foi chefe de redação do jornal O Tempo. Na década seguinte, chegou a trabalhar para a Hill & Knowlton, Imago e Marconi.

Alguns depoimentos de quem o conheceu:

José Manuel R. Barroso:

O Rui! conheci-o na Madeira, quando para lá fui no serviço militar e andei pela aventura do Comércio do Funchal. Ele, e a Helena Marques, eram jornalistas do DN do Funchal, democratas, e foram sempre dois excelentes amigos e gente de qualidade. Depois, quando o Rui veio para Lisboa, fui director dele na Anop, onde fez em bom trabalho e era um excelente colega. A vida passa rápido! Fica a memória das pessoas boas que conhecemos e nos conheceram.

Fernando Correia de Oliveira:

Do Rui lembro a camaradagem de "velha escola", as conversas sem fim depois do acabar dos turnos, as histórias que ele contava, acrescentando sempre mais "pormenores". E... quem se cruzou com ele, sabe do que falo: o temível aperto de mão. Os seus olhos brilhavam de gozo quando algum incauto experimentava a força de tenaz hidráulica dos seus dedos... Ainda há uns meses recordei isso num almoço com o filho com quem tenho mais contacto, o Pedro Camacho, um dos jornalistas do clã Camacho. Até sempre, Rui... com um último aperto de mão.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Para a história das agências - Reuter, Havas, Lisboa...


Artigo sobre a Agência Reuter, in Mundo Gráfico, 30 de Dezembro de 1943. Este título anglófilo era um dos canais da propaganda dos Aliados em língua portuguesa durante a II Guerra Mundial (o Eixo usaria títulos como o Signal).

Escreve-se no artigo do Mundo Gráfico que o fundador da Reuter, a dada altura, muda a sede da agência para Lisboa. Decerto uma confusão. Charles Havas, fundador da Agência Havas (na origem da Agence France Press), terá começado a sua actividade em Lisboa. Já o judeu alemão Israel Beer Josafat, convertido ao cristianismo e passado à história como Paul Julius Freiherr von Reuter (Barão de Reuter), depois de ter trabalhado em Paris com Havas (daí talvez a confusão do Mundo Gráfico), funda a Agência Reuter, em Londres, em 1851 e naturaliza-se inglês em 1857.


sábado, 21 de dezembro de 2013

Roby Amorim (1927-2013)


José Justino Faria de Roby Amorim iniciou a sua carreira em 1948, no jornal Correio do Minho (Braga). Em 1956 entrou para a redacção do jornal Diário Ilustrado, que congregou uma plêiade de profissionais que fez eco na sua geração. Na sequência da extinção deste título fez breve incursão por Angola, de onde foi expulso pela polícia política, após três meses de prisão sem culpa formada nem julgamento. Novamente em Lisboa, ingressou no jornal O Século, colaborando intensamente nas outras publicações da empresa (Século Ilustrado, Vida Mundial e Cinéfilo). Extinto este jornal, em 1975, entrou para a redacção da Agência ANOP, depois Lusa. Por último, fez parte do colectivo que produziu os últimos dois anos de O Diário de Lisboa. Também colaborou, nos últimos anos da sua vida activa, em várias puplicações da Agência de Comunicação LPM.

Recebeu por duas vezes o Prémio Pereira da Rosa (1971 e 1972) e em 1973 o Prémio Nacional de Jornalismo “Afonso de Bragança”. Publicou Elucidário de Conhecimento Quase Inúteis (Salamandra, 1985), Da Mão à Boca (Salamandra, 1987) ou Abecedário dos Sabores Portugueses e Mais Alguns (Lagonda, Dezembro de 2005).

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

QUANDO OS TELEGRAMAS ERAM DISTRIBUÍDOS DE BICICLETA...


Fialho de Oliveira, Gazeta de Mérito 2012 pelo Clube dos Jornalistas, entrou para a profissão em meados dos anos 1950. Passou pelos jornais, revistas e agências. Pela ANI e pela ANOP. Extracto da entrevista realizada a 7 de Julho de 2004, publicada pela primeira vez no livro Memórias Vivas do Jornalismo (Caminho, 2010), e republicada em Jornalismo & Jornalistas, do Clube de Jornalistas (nº 51 Julh/Set 2012)

A dado passo, Fialho de Oliveira diz: "No princípio ainda não havia telexes. O que havia era umas folhas, distribuídas por estafeta, de bicicleta..." (clique no texto para aumentar)

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

JANTAR DAS AGÊNCIAS A 06DEZ - 20H00



Restaurante Jardim da Luz (Largo da Luz, Lisboa)  - Tel. 217 156 087


Ementa: Moscatel, Martini; salgados; salada de polvo; sopa; grelhada mista; salada de frutas ou mousse ou leite creme; café; bebidas: vinho branco, vinho tinto, cerveja, refrigerantes

Preço: 15 euros


Participe e seja solidário. Traga uma contribuição para o nosso cabaz solidário (um quilo de arroz, massa, óleo alimentar, enlatados… o que puder oferecer). 

Na noite do jantar, a Caritas recolhe a nossa oferta.

Confirme a sua participação até 30 de Novembro:

Leonor Sá Machado: nocaleo@hotmail.com, tel. 916 054 335

Cristina Cardoso, Teresa Corte-Real, Sónia Jorge (na LUSA, tel. 217 116 500)

IN MEMORIAM

A Adriano de Carvalho; Amadeu; Amélia Pereira; Alberto Vilaverde Cabral; Álvaro Morna; Alexandre Oliveira (Alhinho); André Ferreira; Aníbal Ramalho; António Cordeiro; António Esperança; António Fernandes; António José; António José Silva; António Maria Zorro; António Ramos; António Vaz Gonçalves; Ariosto Mesquita; Armando Fontes; Armando Sereno; Artur Pereira Gil; Augusto de Carvalho; Azevedo.

B Barradas de Oliveira; Belmiro Vieira; Bento Silva; Bretes Teixeira.

C Cardoso Menezes; Carla Casais (Pote); Carlos Charneca; Carlos Pinto Coelho; Cartaxo e Trindade; César Gaspar; Clemente Cardoso; Cristina Braga.

D Dala (Maria José Martins); Dolores; Domenico Conte; Domingues Neves; Dutra Faria.

E Encarnação Viegas.

F Fausto Correia; Fernando Baião; Fernando Brederode Santos; Fernando Carneiro (Pai); Fernando Pinto; Fernando Teles; Fernando Fraga da Silva.

G Gama Rodrigues.

H Handel de Oliveira; Helena Vaz da Silva; Helder Guerra; Helena Mensurado.

I Ilídio Alves; Isa Meireles.

J João Murinello; João Tito de Morais; João Carreira Bom; João Maló; João Sacadura Bote; João Saraiva e Sousa; Jorge Oliveira; José Augusto Mendonça; José Carlos Coelho Dias; José Gabriel Viegas; José Gutierres; José Luís Gomes Pinto; José Manuel Jerónimo; José Manuel Nóia; José Maria Araújo; José Mendonça.

L Luís Esteves; Luís Margarido Correia; Luís Ochoa; Luís Pereira Gil; Luís Varanda de Castro, Luis Vitta.

M Manuel Antunes; Manuel José; Manuel Pedro Fernando; Maria Luísa Leone; Mário Contumélias; Mário Silva; Marques Pinto; Maximino Correia; Mimoso de Freitas; Muradali Mamadussen.

N Adelino Namorado dos Vultos; Nazaré Candeias; Noémia de Sousa.

O - Oscar Mascarenhas

P Paulo David; Porto.

R Ramiro Valadão; Ricardo Romão; Rogério Severino; Rui Camacho; Rui Moreira; Rui Pimenta; Roby Amorim.

S Saldanha Sanches; Santos Cruz; Sarsfield Rodrigues; Silva Marta; Suleiman Valy Mamede.

U Utra Machado

V Vasco Noronha; Veiga Pereira; Vítor Catanho; Vítor Fernandes.

W William Gilman.

sábado, 14 de abril de 2012

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Contributos para uma História das Agências em Portugal - a Fast


Homem Cristo, Filho

"Portugal foi dos últimos países da Europa a ter uma agência nacional de informação internacional. [...] Por outro lado, teve a sua sede em Paris a que terá sido, julgo, a primeira agência de informação fundada e financiada por portugueses - foi, se não estou em erro, a Fast, orgnanizada por Homem Cristo, Filho, na década de 20 e que se tornou possível graças aos capitais de Alberto de Monsaraz, o qual ao tempo não regressara ainda a Portugal do exílio que se seguira à derrota dos monárquicos em Monsanto.
A Fast enviava pelo correio, e em casos excepcionais telegraficamente, crónicas e notícias a jornais portugueses, brasileiros, espanhóis e hispano-americanos.
Não teve êxito como agência, e mais tarde transformou-se em casa de chá e sala de exposições".
Dutra Faria, jornalista, Director executivo da ANI, in "Agências de Informação", Informação / Cultura Popular/ Turismo, nº 1, Janeiro/Abril de 1970

"Em virtude da publicação de um artigo de crítica ao Ministro Sinel de Cordes, inserto no referido vespertino, eis de novo expulso de Portugal um dos mais garbosos, gentis e brilhantes jornalistas lusíadas da sua geração.Em Paris fundou e dirigiu a Chez Fast, casa editora e simultaneamente casa de chá. Nela se realizavam as reuniões dos Amis des Lettres Françaises, onde se agrupavam os maiores nomes do intelectualismo, da política, da ciência, da arte, da aristocracia, da finança, do exército franceses. Por 1926, foi Homem Cristo eleito Presidente da Associação da Imprensa Estrangeira de Paris"
Memória anónima, recolhida na Internet

Alberto de Monsaraz fixa-se em Paris, "onde Homem Cristo Filho teria nele o benévolo patrocinador para algumas das suas desencontradas e fantásticas iniciativas, entre as quais um curioso misto de elegante casa-de-chá, livraria, salão literário e agência de colaborações para a Imprensa do Brasil e hispano americana - "Chez Fast". E era ali, "Chez Fast", que os portugueses (homens de letras e jornalistas) que iam até Paris (ainda então no cabo do mundo...) tinham o ensejo de encontrar e conhecer figuras de relevo na literatura francesa do tempo, como Claude Farrère e a Rachilde.
Artigo de Dutra Faria no jornal "A Rua", de 23 de Fevereiro de 1978

"Aventureiro de várias pátrias, múltiplos talentos e extrema ousadia, Homem Cristo Filho tinha fundado em 1917, na cidade-luz, a Agência de Informação Fast, que colocou ao serviço do sidonismo na frente europeia. A Fast - primeira agência noticiosa portuguesa a nível internacional - fora criada com dinheiros do conde Alberto de Monsaraz, figura central da resistência monárquica à República e futuro secretário-geral do Movimento Nacional-Sindicalista, que vivia exilado em Paris. Sob a sua direcção, a agência encarregou-se inicialmente da propaganda oficial de quatro países: a Espanha do rei Afonso XII, o Chile do liberal-democrata Juan Luís Sanfuentes, o Peru do civilista José Pardo y Barreda e a China republicana, onde os presidentes duravam pouco.

"Durante o consulado sidonista, a Fast incorporou a direcção de Informação e Propaganda da República Portuguesa nos Países Amigos e Aliados, criada pelo próprio Sidónio Pais, que substituiu a revista "Portugal da Guerra", fundada por Norton de Matos no início do conflito mundial, a qual se editava em Paris. Homem Cristo Filho, director de ambas, fez chegar pelo correio aos jornais portugueses as notícias que mais interessavam ao Presidente-Rei. E aceitou cumprir paralelamente a missão de desacreditar o Presidente da República deposto, Bernardino Machado, que se encontrava exilado na capital francesa. O assassinato de Sidónio deitou entretanto o projecto abaixo, obrigando o jornalista panfletário a alterar o plano de vida. Quando Ferro o procura em Paris, explora já o espaço da agência como livraria, casa de chá e salão de exposições, com o nome de Chez Fast, aberto aos pintores portugueses radicados em Paris. É aí que expõe, por exemplo, Henrique Medina e que Mário Eloy causa frisson pela primeira vez.

"A Chez Fast acolhe nessa época com regularidade as reuniões dos Amis des Lettres Françaises, que juntam intelectuais, princesas do Leste, exilados russos, vedetas do teatro ligeiro, banqueiros especuladores, gigolos profissionais e generais golpistas retirados. Homem Cristo Filho, que fala e escreve em francês com a fluência de um parisiense culto e veste das boutiques da Rue Furstemberg, em Saint-Germain-des-Prés, é o anfitrião perfeito. O charme da pernagem e o espírito do lugar fazem Ferro vibrar de emoção e procurar sempre que pode o mestre para aprender novas lições. A submissão é tal que fica perturbado e em crise sempre que ele o repreende. Além da admiração por Sidónio, os dois homens têm em comum a apetência pela escrita e o fascínio pelas ditaduras".
"António Ferro, O Inventor do Salazarismo", Orlando Raimundo, D. Quixote, 2015, págs 96 e 97

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Contributos para uma História das Agências em Portugal - a Algar


Notícia algo confusa, publicada na Gazeta dos Caminhos de Ferro nº 1193, de 1 de Setembro de 1937. Há 75 anos, falava-se da intenção de se criar uma agência noticiosa, Algar. Estava-se em plena Guerra Civil de Espanha (1936-39) e houve movimentações várias dos media nacionais para intervir de forma propagandística no conflito (sendo o caso mais evidente o de Botelho Moniz, do seu Rádio Clube Português e do batalhão de Viriatos que organizou). Da notícia ficamos sem saber quem é o responsável pela Algar, mas pelos nomes depois avançados fica claro que são afectos ao regime saído do golpe de 28 de Maio de 1926. Não sabemos se a Algar chegou a existir.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Luís Varanda de Castro (1950 - 2011)


Faleceu ontem, 10 de Dezembro, em Coimbra, o Luís Miguel Varanda de Castro. Fez a sua carreira de jornalista em grande parte nas agências noticiosas. Uma notícia triste e inesperada. Camarada, cavalheiro, de humor fino, deixa-nos saudades. Ribatejano de Alpiarça. RIP, Luís.


quinta-feira, 30 de junho de 2011

Para uma História das Agências Noticiosas em Portugal...

Para uma história das Agências Noticiosas em Portugal: Páginas dedicadas à ANOP, in Iniciação ao Jornalismo, de Victor Silva Lopes (Centro do Livro Brasileiro, Março de 1980).

Nelas se fala de teleimpressoras, do UNIFAX II, do Controlador Programável de Canais de Informação e de outra parafernália hoje já "pré-histórica".

Mas também se refere a classificação dos telegramas, por critérios de importância, prioridade, urgência e tamanho. Desde o Flash à Nota às Redacções, passando pelos Boletim, Urgente, Fora de Ordem, Notícia, Desenvolvimento, Relacionada, Cobertura, Especial e Rectificação.
E o "Estilo da ANOP" é igualmente referido, como paradigma do fio noticioso numa agência de notícias livre e independente, guiada nos seus conteúdos por um Livro de Estilo.
Clique nas imagens, para aumentar

terça-feira, 28 de junho de 2011

ENTRADAS NAS AGÊNCIAS


1956

Domingues Neves
Luísa Leone

1958

César Gaspar
Ilda

1962

Ricardo Romão

1964

Jorge Heitor
Vaz

1965

Santos Gomes
Armanda
Valdemar Afonso

1968

D. Rosa

1970

Artur Margalho
António José
Milheiro

1971

José Manuel
José Luís Pinto
Maria do Rosário

1972

Branco
Bina

1973

João Pinheiro de Almeida (23.10.73)
Luís Pinheiro de Almeida (01.11.73)
Carvalho (pai)
David
Tomás Ferro
Joaquim Pardal
Ramalho
Cecília Magalhães

1974

Luís Vita
Mário Silva
Francisco Saraiva Marques
João Pedro Martins
António Esperança
Ana Glória
António José Silva (careca)
Palma

1975

Moura George
Matilde Ramalho
Isa
Andrade Santos
Emília Caetano
Zé Trigoso
Fernando Cascais
João Carlos Silva
Nicole Guardiola
Quintas
Ferreira Marques
Fernando Valdez
Lívia
Luísa Tito Morais
Cunha
Djau
Irene
Gonçalo César de Sá
Manuel Lopes (Madrid)

1976

Luís Paixão Martins
Otília Leitão
Carlos Marques
Domenico Conte
Ilídio Alves
Carlos Charneca
Xavier de Figueiredo
Heitor (??)
Celso Matos
João Murinello
Carlos Ramos
Oliveira (??)
Mota
Bretts Teixeira
Rui Lafaia
Lurdes Antunes
Nunes
Galinho
Artur
Correia Silva
João Maló
São Matos
Helena Cabral
Rui Guerra
Carlos Martins
Saraiva e Sousa
Maximino Correia

1977

Simões Lopes (Porto)
Vaz da Silva
João Carreira Bom
Helena Mensurado
Aníbal Mendonça
Fernando Correia
Luísa Ribeiro
Júlia Fernandes
António Mega Ferreira
Xico Máximo
Maria António Palla
Roby Amorim
Manuel da Costa
Mário Moura
António Amorim
Luciano Rocha
Vera
Luís Maurício
F. Farinha (Faro)
Marques Pinto
Mota Marques
Mirina
Belmiro Vieira
Valter Aguiar
Manuel Moura
Alfredo Cunha
Pedro Freire
Manuela Bivar
Inês
Deolinda Almeida
Olga Gonçalves
Cartaxo e Trindade
José Manuel Barroso
Wilton Fonseca
Baptista
Fernanda
Sobral
Porto
Muller
Maria José
Pedro Alenquer
Vicente
Anabela
Ramos (Porto)

1978

Silva (Évora)
Fanã
António Marinho (Coimbra)
Carolina Silva (Porto)
Inácia
Jaime Antunes
Isabel Lourenço
José Luís Lança
Paulo Cordeiro
Xico Siqueiros
Raul Malaquias Marques
Cristina Braga
Bernardo Oliveira (BO)
Toi Caeiro
Xico Neves
Carlos Veiga Pereira
Rui Pimenta
Luís Varanda de Castro
Fernando Fraga da Silva
Dala (Maria José Martins)
Cordeiro (Porto)
Fausto Correia (Coimbra)
Domingos (Guarda)
Zé Mendonça
Margarida Santos (Porto)
Fernando Baião
João Serra
Cristina Fernandes (15.06.78)
Zézinha
Mário de Carvalho
Telmo
Camacho
João Melo
Ângela Carrascalão
Adalberto Rosa
Helder Guerra
Alda
Semedo
Luís Filipe
Techa
António Cotrim
MP Bastos
Pedro Sabbo
Esteves de Oliveira
Parafita Correia (Porto)
Céu Cruz (Porto)
Luís Filipe (Braga)
Rui Araújo (Paris)

1979

José Luís Saldanha Sanches
José Gabriel Viegas
Margarida Silva Dias
Adriano de Carvalho
Carlos Simões
Luís Magalhães
João Querido Manha
Norberto Santos
Vasco Fernandes
Michèlle Rossarosso
Fernando Trigo
Luís Vasconcelos
Zico
Avelino
Lino Soares
Pedro Fernandes
Antonieta
Suzete
Emília (limpeza)
Rebelo
Bento
Gomes
Antunes
João Paulo
Azevedo (Porto)
Rosário (Porto)
Amâncio (Porto)
Paulo Ramalheira (Porto)
Natividade Vaz (Guarda)
Armando Almeida (Coimbra)
Virgínia Veiga (Coimbra)
Lurdes Matias (Coimbra)
Leston Bandeira
Jorge Galvão

1980

José Amaro
Armando Sereno
Margarido Correia
Paulo David
Fernando Carneiro
Ramiro Mendes
Rui Ochoa
Amadeu
Rui Moreira
Emanuel de Sousa
Maria dos Anjos
Fernando Néné
Luísa
Helena Gomes
Manuel Silva Martins
Bastos Lourenço
Isabel Braga
Luísa Rato
Cavalheiro
Maria José Herculano
Leonor Sá Machado
Natividade
Mimoso
Simões Marques (Coimbra)
Rodrigues dos Santos (Coimbra)
Manuel Martins (Évora)
Maria Afonso (Faro)
Jorge Galamba
José Amaral
Manuela Ferreira
Jorge Cavalheiro

1981

Namorado
Carvalho (filho)
Nazaré
Paulo Gaspar
Cristina Rolo

1985

António Mateus (NP)

1988

Dulce Salzedas
João Pereira da Silva
Ramiro Santos

1995
Vasco Noronha

1997

Inês David Bastos (Novembro)

FONTE: Não sei! É um manuscrito (letra minha) que guardei, não sei por que razão...

LPA

segunda-feira, 27 de junho de 2011

PARA UMA HISTÓRIA DAS AGÊNCIAS NOTICIOSAS EM PORTUGAL...

1943, Dezembro, 7

Há meses que andamos em experiências de recepção do noticiário rádio-morse da "Associated Press" para a nossa imprensa metropolitana, cujo Grémio mostrou curiosidade em obter. Destinavam-na, creio, a substituir a "Havas", já então condenada pela triste situação em França.
A "Marconi" colaborou devotadamente nestas experiências, mas afinal chegámos todos à conclusão de que a coisa ficaria demasiado dispendiosa.

Por meu lado, senti-me aliviado ao receber hoje o telegrama de Nova Iorque, dizendo que ali, na Direcção da A.P., consideravam não valer a pena prosseguir com as negociações.

O que eu desejaria era que a exemplo da "Associated Press", as empresas que editam jornais portugueses se associassem formando uma agência cooperativa noticiosa portuguesa, sem fins lucrativos, capaz de oferecer à opinião pública um serviço independente de influências e favores de origens estrangeiras - um serviço noticioso tão independente, como o Governo desejava que o País fosse neutro nesta guerra. Tenho-me batido por esta realização, e da parte do João Pereira da Rosa encontro simpática compreensão.

Luís C. Lupi, in Memórias, Diário de um Inconformista (1943 a 1957), III Volume, p. 39, Lisboa, 1973 (Editora Pax, Braga)