quarta-feira, 17 de junho de 2015

Helena Mensurado (1931 - 2015)


(foto Manuel Moura)

Helena Mensurado morreu hoje, em Lisboa, aos 83 anos, Maria Helena Soeiro Mensurado nasceu a 14 de Julho de 1931, em Benguela, no sul de Angola, onde iniciou a carreira jornalística, aos 18 anos, como estagiária, no Rádio Clube de Benguela.

Em Portugal, iniciou a sua carreira no Rádio Clube Português, em 1963, através da produtora independente Radio Press Office. Aí, foi a primeira jornalista radiofónica no país, redigindo e dando voz aos apontamentos do programa "Nova Linha", um dos primeiros programas puramente noticiosos que existiram na rádio nacional, 

Helena Mensurado trabalhou a partir de 1977 na Agência Noticiosa Portuguesa (ANOP) e na Lusa - Agência Notícias de Portugal, quando esta foi criada, em novembro de 1986, após a extinção das anteriores agências - ANOP e Notícias de Portugal (NP). 

Trabalhou ainda no Jornal Novo, em A Capital e no Semanário e colaborou em diversas produções da RTP. 

No cinema, Helena Mensurado desempenhou um papel de si mesma (um "cameo"), como jornalista de uma redação, no filme “O Lugar do Morto” (1984), dirigido por António-Pedro Vasconcelos.

Era irmã da jornalista Edite Soeiro, foi casada com o jornalista José Mensurado, ambos já falecidos, Com este, teve um filho, também jornalista, Pedro Mensurado.

Depoimentos:

Luís Pinheiro de Almeida, durante vários anos Editor de Helena Mensurado, na editoria de Política, na ANOP: A Maria Helena Mensurado era uma querida amiga. Era teimosa como eu, mas de uma afabilidade e de uma ternura raramente vistas em redacções em permanente stress.

Tinha sempre uma palavra de mãe para as desvarios próprios de um jornalista permanentemente com os nervos à flor da pele. Protegi-a o mais que pude.

A Maria Helena vinha de uma escola de jornalismo diferente da que caracteriza uma agência noticiosa. Vinha de um jornal, de “A Capital”, se bem lembro, e são históricos os choques entre as duas escolas. Uns a escrever muito, outros a escrever só o necessário. A Maria Helena não fugiu à regra, mas, com o seu saber de experiência feito, lutou e lutou muito para levar a carta a Garcia, para se conter nas 35 palavras do lead.

E quando a caminhada já era demasiado veloz para o seu passo, continou a ser de uma extrema utilidade para a agência nacional. Sábias as suas biografias, completos os seus backgrounds que acrescentavam mais-valia às notícias dos putos. Até sempre, camarada, gosto de ti e não me esqueço do livro dos Beatles que me ofereceste em Março de 1982, quando éramos mais jovens 

Nuno Simas, Director-Adjunto da Lusa: "A Helena representou, para mim, a transmissão, de geração para geração, de saber, experiência e de camaradagem!"

Natal Vaz: "Conheci a Helena no jornal A Capital há para ai uns 40 anos... ela contava historias que me deixavam com os olhos arregalados! Uma grande senhora!"

Fernanda Mestrinho; "Uma boa amiga, uma senhora e a integridade no jornalismo".

Afonso Camões, Director do Jornal de Notícias: "Mulher valente, excelente profissional, minha camarada nos primeiros tempos do Semanário".


(foto Manuel Moura)


(foto Manuel Moura)


(foto Manuel Moura)

Num almoço de confraternização da ANOP. Vêem-se ainda Mário Moura, Maria Júlia Fernandes, Artur Margalho e, ao fundo, Fernando Cascais e Fernando Correia de Oliveira


Num jantar de confraternização de ex-ANOP, em 2011

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